Economia & Mercado
Publicado em 08/02/2026, às 12h31 Divulgação Bruna Rocha
Dois meses antes de ser preso, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vendeu 55% de uma de suas principais empresas, a Viking Participações, para um fundo de investimentos administrado pela Reag.
Vorcaro também deixou a administração da companhia, transferindo o cargo a um ex-despachante de Nova Lima (MG). A Viking, holding patrimonial, é proprietária de três aeronaves utilizadas por ele, incluindo o jato em que pretendia viajar ao exterior no dia em que foi preso, em 17 de novembro; ele foi solto 12 dias depois. Segundo investidores, o valor estimado do Falcon 7X gira em torno de R$ 200 milhões.
A venda foi oficializada em setembro de 2025, em meio à crise do banco de Vorcaro, após o Banco Central (BC) barrar a compra do Master pelo BRB e a abertura de inquérito da Polícia Federal. Na ocasião, ele transferiu mais da metade do capital da holding ao Stern Fundo de Investimento em Participações (FIP) Multiestratégia.
A alteração contratual, na qual Vorcaro “cede e transfere, a título oneroso”, 55% do capital da Viking, formalizou a entrada do FIP Stern no negócio e sua renúncia como administrador. O posto passou a Adriano Garzon Correa, que assumiu como administrador não sócio. Garzon também já foi sócio de empresas posteriormente encerradas, incluindo uma firma de despachante. Procurado, não respondeu.
Em nota, a assessoria de Vorcaro afirmou que ele permanece controlador da Viking.
“A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a venda de parte da Viking foi realizada ainda em 2024. Ao longo de 2025 ocorreram apenas atos burocráticos e formalizações societárias inerentes à operação. Daniel Vorcaro permanece acionista e controlador da Viking. A operação seguiu critérios comerciais regulares. Vorcaro segue colaborando com as autoridades.”
A Reag, administradora do fundo Stern, também foi procurada, mas não se manifestou. A gestora é investigada por suposta participação em fraude que teria inflado artificialmente ativos ligados ao Master e foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que apura a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.
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