Economia & Mercado
Publicado em 04/08/2026, às 13h53 Foto: Ilustrativa / Pexels Cibele Gentil
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram como o projeto de um empreendimento de luxo de frente para a Praia dos Ingleses, em Florianópolis, Santa Catarina, era para ser e como acabou ficando depois que as obras foram paralisadas, desde 2023. O complexo, que previa mais de 350 quartos de hotel, 400 vagas de estacionamento e um shopping com 100 lojas, acabou se tornando um verdadeiro pesadelo para os investidores.
As fotografias atuais do canteiro de obras mostram um cenário de abandono e a estrutura de concreto inacabada. As obras foram paralisadas em junho de 2023, quando o plantão de vendas foi fechado definitivamente.
Os compradores que adquiriram cotas compartilhadas ou investiram na cooperativa relatam prejuízos, que chegam a R$ 200 mil por investidor. A situação levou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a instaurar uma notícia de fato na última semana para apurar o atraso na entrega.
Modelos combinados e novos investidores
A proposta do projeto combinava o modelo de cooperativa e venda de cotas compartilhadas. A cooperativa envolvia proprietários dos terrenos, fornecedores e cerca de 140 cooperados. Quanto às cotas compartilhadas, o formato implicava que o comprador adquiria o direito de uso do imóvel em períodos definidos do ano, sem ter a titularidade da propriedade.
A JC Compra e Venda de Imóveis, uma das responsáveis pelo empreendimento, informou que os problemas teriam iniciado no período de pós-pandemia e estaria tentando viabilizar a retomada das obras. Para isso, afirmou que está negociando com uma nova empresa investidora.
Compradores alegam prejuízos de até R$ 200 mil
A modalidade de cotas atraiu Flávio Marcelino e sua esposa, que adquiriram duas cotas, em 2022. O casal investiria cerca de R$ 44 mil cada um, mas quando chegou a quitar pouco mais de R$ 10 mil, constatou a interrupção da obra e deixou de realizar os pagamentos. Eles contaram que não conseguiam mais contato com os responsáveis.
"A gente correu atrás, entramos com uma ação para tentar reverter isso, mas até agora sem resposta. Não tem mais nada no nome deles, todos os bens foram removidos e é um prejuízo enorme para todo mundo que investiu", contou Flávio Marcelino.
Já a professora Janaína de Sousa Alves, moradora de São Paulo, relatou perdas ainda maiores. Ela adquiriu cinco cotas em 2020, que somam quase R$ 200 mil. "Foram R$ 200 mil que nós perdemos. Florianópolis é uma cidade muito atrativa. Uma das coisas que a gente nem pensou foi: 'Ah, é uma coisa que não vai dar certo.' A gente nunca pensou nisso. Até por ser uma cidade turística, atrativa e o local bonito, acabamos acreditando", diz.
Registros de queixas e ações judiciais
Diante do abandono da obra, os relatos de prejuízo se multiplicaram nas redes sociais e em fóruns de consumidores. Em consulta ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), as empresas JC Compra e Venda de Imóveis Ltda e a JC Compra e Venda de Imóveis SCP Centrinho dos Ingleses, relacionadas ao empreendimento somam quase 800 ações judiciais em primeiro e segundo graus, figurando como réus na maior parte dos processos.
Veja fotos:
Calote: TRT-BA aplica multa em empresa após "sumiço" na entrega de iPhones
Avó com Alzheimer vira “dona” de empresa bilionária após rombo de R$ 900 milhões de neto