Economia & Mercado
Publicado em 26/07/2026, às 12h38 Divulgação Redação Bnews
Cerca de 100 funcionários da Ditália Móveis divulgaram, nesta segunda-feira (20), uma carta aberta contra a falência da empresa, decretada em 3 de junho pela Justiça após rejeição do plano de recuperação judicial pelos credores.
A fabricante, com sede em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, acumula um passivo estimado em R$ 85 milhões, mantém 101 trabalhadores e segue operando enquanto tenta vender sua estrutura produtiva até 30 de setembro.
Trabalhadores alertam para impacto social
No documento, os funcionários manifestam contrariedade à decisão e pedem a revisão do caso. Eles destacam que o encerramento das atividades pode afetar diretamente as famílias dos trabalhadores e a economia da região.
A carta também reforça a defesa da continuidade da empresa, que ainda mantém suas operações em funcionamento mesmo após a decretação da falência.
Decisão ocorreu após rejeição de plano
A falência foi determinada pelo juiz André Dal Soglio Coelho após a assembleia de credores rejeitar o plano de reestruturação financeira apresentado pela empresa. Os credores também recusaram a possibilidade de apresentação de uma nova proposta, encerrando as alternativas previstas no processo de recuperação judicial.
Na tentativa de evitar a quebra, o grupo solicitou a aplicação do mecanismo conhecido como “cram down”, que permite ao Judiciário aprovar um plano mesmo sem aval dos credores em situações específicas. O entendimento, no entanto, foi de que os requisitos legais não estavam presentes.
Defesa vai recorrer da decisão
O advogado Thiago Crippa Rey, responsável pela defesa do Grupo Ditália, informou que recorrerá às instâncias superiores para tentar reverter a decisão e manter o processo de reestruturação.
Segundo ele, mais de 60% dos credores, consideradas todas as classes, já teriam recebido os valores à vista e sem desconto.
Empresa segue funcionando e busca comprador
Mesmo com a falência decretada, a Ditália Móveis continua operando normalmente durante o processo de venda dos ativos. Os salários dos funcionários e os pagamentos aos fornecedores seguem sendo realizados.
A estrutura será oferecida por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), modelo que permite a transferência da operação em funcionamento para um novo comprador. Interessados poderão apresentar propostas até 30 de setembro.
Fundado em 1990, o Grupo Ditália iniciou suas atividades produzindo estofados e se consolidou como uma das empresas tradicionais do setor moveleiro da Serra Gaúcha. Atualmente, mantém 101 funcionários ativos enquanto aguarda a definição sobre o futuro da operação.