Economia & Mercado

Instabilidade política eleva volatilidade do mercado de ações, segundo especialista; entenda

Especialista explica impacto das recentes mudanças políticas e econômicas nas oscilações da B3  |  Divulgação / Shutterstock

Publicado em 25/07/2024, às 10h00   Divulgação / Shutterstock   Verônica Macedo

A instabilidade política frequentemente provoca volatilidade no mercado financeiro. No Brasil, as recentes movimentações político-econômicas tiveram um impacto profundo na Bolsa de Valores, refletindo as expectativas e incertezas dos investidores internacionais em relação às novas diretrizes governamentais.

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A saída de capitais estrangeiros do Brasil tem pressionado a inflação e elevado os custos de importação, criando um ambiente econômico desafiador. Com a redução do fluxo de investimentos externos, setores essenciais para a economia, como infraestrutura e energia, enfrentam escassez de recursos. Consequentemente, o mercado de trabalho é prejudicado e a capacidade do país de atrair novas tecnologias é reduzida. É o que afirma Ricardo Matte, CEO da Vincit Capital e especialista com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro.

Impactos das mudanças políticas no mercado

Entre as mudanças político-econômicas mais significativas está a reforma tributária, que introduziu novas regras para investimentos estrangeiros. “A medida gerou cautela dos investidores que esperam maior clareza e estabilidade antes de reposicionar seus recursos em mercados emergentes como o brasileiro”, revela  Matte.

“Além disso, a introdução de impostos sobre lucros distribuídos e a simplificação das normas fiscais, embora destinadas a modernizar o sistema, também aumentaram a complexidade e a incerteza tributária”, diz.

Como a instabilidade afeta o mercado

Para Matte, a instabilidade política e as recentes mudanças econômicas têm levado os investidores internacionais a realocar seus recursos para mercados considerados menos arriscados e com melhores rendimentos. “Essa tendência é impulsionada não apenas pelas políticas internas brasileiras, mas também por fatores externos, como conflitos geopolíticos e o aumento global das taxas de juros”, pontua.

A recente alta na taxa básica de juros (Selic) foi uma medida do Banco Central para combater a inflação. Junto com a incerteza econômica, o aumento acentuado de mais de 10% contribuiu para a volatilidade do Índice Bovespa (IBOV), refletindo as flutuações nas expectativas dos investidores quanto ao custo do capital e ao crescimento econômico. “A perspectiva de retornos mais estáveis e previsíveis leva os investidores a preferirem ativos de menor risco em vez de ações voláteis”, explica. 

Segundo o especialista, nesse sentido, estratégias de investimento que priorizam ações com bons dividendos e títulos de renda fixa podem oferecer uma alternativa mais segura para navegar por um cenário econômico incerto.

Estratégias de investimento em tempos de volatilidade

Adaptar-se aos desafios e manter uma visão de longo prazo são fundamentais para investidores em um ambiente volátil. Matte recomenda focar em ações de empresas que historicamente oferecem bons dividendos, especialmente em setores resilientes à crise, como energia, telecomunicações e saneamento. “Companhias com gestões sólidas e boa saúde financeira tendem a oferecer maior segurança e retornos mais estáveis”, afirma.

Além disso, Matte destaca a importância dos investimentos em títulos de renda fixa, como LCAs e CDBs. “Devido à isenção de imposto de renda, dependendo do prazo do investimento, as LCAs podem proporcionar retornos líquidos mais elevados. Isso as torna uma opção atraente para investidores que buscam uma alternativa mais segura”, finaliza.

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