Economia & Mercado
Publicado em 16/09/2026, às 19h10 Marcello Casal Jr./Agência Brasil Analu Teixeira
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi unânime e representa a primeira alta dos juros americanos desde julho de 2023.
Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui
O aumento encerra uma sequência de reuniões sem alteração na taxa e ocorre em meio à persistência da inflação nos Estados Unidos. Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), a atividade econômica segue avançando em ritmo sólido, enquanto os gastos domésticos permanecem resilientes. O colegiado também citou o cenário de elevada incerteza, incluindo os efeitos de acontecimentos geopolíticos.
A decisão considera o chamado duplo mandato do Fed, que envolve a busca pela estabilidade de preços e pelo máximo emprego. No comunicado divulgado após a reunião, o comitê afirmou que a inflação continua elevada e que a alta dos juros deve contribuir para um retorno mais rápido à meta de 2%.
A nova projeção dos dirigentes também indica possibilidade de continuidade do aperto monetário. Dados divulgados pelo próprio Fed mostram que as projeções para o fim de 2026 se concentram acima do atual intervalo da taxa, com parte dos integrantes apontando para novas altas.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou durante a entrevista após a decisão que a inflação ainda não apresentou uma melhora significativa. Segundo ele, os dados recentes não indicam que as tendências subjacentes dos preços tenham avançado de forma suficiente em direção à meta da instituição.
Warsh também foi questionado sobre as pressões do presidente Donald Trump por juros mais baixos. Em resposta, afirmou que o banco central deve conduzir sua política monetária de forma independente e declarou: “Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla”. A declaração ocorreu após meses de críticas de Trump ao nível dos juros americanos.
A decisão do Fed também pode produzir efeitos sobre os mercados brasileiros, com juros mais elevados nos Estados Unidos, os títulos do Tesouro americano podem se tornar mais atrativos para investidores, favorecendo a transferência de recursos para ativos denominados em dólar.
Esse movimento pode contribuir para a valorização da moeda americana diante de outras divisas, embora a cotação do dólar também dependa de fatores como as condições da economia global, os preços das commodities e a situação fiscal de cada país.
No Brasil, uma eventual valorização do dólar pode aumentar a pressão sobre os preços de produtos e insumos importados e influenciar a condução da política monetária pelo Banco Central.
A decisão do Fed ocorre no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro se reúne para definir a taxa Selic. Até a decisão desta quarta-feira, a taxa estava em 14,25% ao ano, após o Copom reduzir o índice em junho. Na ocasião, o Banco Central destacou a necessidade de cautela diante das incertezas provocadas, entre outros fatores, pelo cenário internacional.
A relação entre as decisões dos dois bancos centrais, no entanto, não é automática. O Copom considera as condições da economia brasileira, incluindo inflação, atividade econômica, expectativas de preços, câmbio e cenário externo, para definir a trajetória da Selic.
No mercado americano, a alta dos juros anunciada nesta quarta-feira já repercutiu nos ativos financeiros. Após a decisão, os principais índices acionários dos Estados Unidos oscilaram, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançaram.
A próxima decisão do Fed será acompanhada especialmente pelos dados de inflação e emprego, que devem ajudar a definir os próximos passos da política monetária americana.