Economia & Mercado

Semana da Sociobiodiversidade: Setor que movimenta R$17,4 bi ao ano e protege biomas reivindica políticas públicas

Estudo revela que setor gerou 525 mil postos de trabalho e já protegeu 60 milhões de hectares  |  Divulgação / Pixabay

Publicado em 04/09/2025, às 08h25 - Atualizado às 08h53   Divulgação / Pixabay   Verônica Macedo

A Semana da Sociobiodiversidade vai até esta sexta-feira (5), reunindo, aproximadamente, 450 representantes de coletivos de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, extrativistas, extrativistas costeiros marinhos e agricultores familiares. O setor reforça seu papel central na economia do país e no combate às mudanças climáticas, reivindicando políticas públicas adequadas, maior participação em espaços de decisão e conexão com a agenda da Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima - COP30.

Uma das ações da semana, que ocorre em Brasília, é a elaboração da Carta da Semana da Sociobiodiversidade 2025, um documento que será construído de forma coletiva e entregue a representantes do Governo Federal no dia 5 de setembro.

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Apesar de sua relevância, a sociobiodiversidade ainda enfrenta desafios, entre eles dificuldade de acesso a crédito; inclusão sanitária; incentivos fiscais; escassez de informação e dados oficiais e desafios logísticos, além da crise climática, que impacta diretamente o setor.

Entre 2024/2025, por exemplo, não houve safra da castanha devido à seca recorde na Amazônia, com ribeirinhos e indígenas relatando que o produto não deu nem para consumo próprio.

Dados do Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio) mostram a importância do setor.

Em 2023, os produtos da sociobiodiversidade geraram R$17,4 bilhões e criaram 525 mil postos de trabalho. Além disso, o setor protegeu 60 milhões de hectares, o que demonstra sua contribuição direta para a preservação ambiental. Esses dados foram utilizados na campanha "Sociobioeconomia da Reforma Tributária", que buscou a justiça tributária para o setor.

Cadeias da castanha, da borracha e do pirarucu, que estão representadas na Semana da Sociobiodiversidade, movimentaram R$ 2,56 bilhões em todo o país, ou seja, cerca de 15% do total.

As economias da sociobiodiversidade têm se mostrado vitais inclusive para assegurar o desenvolvimento das demais cadeias produtivas da economia nacional, da agricultura à geração de energia, uma vez que esses setores dependem do equilíbrio de chuvas e da qualidade dos solos e da água.

O manejo desses povos e comunidades garante a produção de alimentos ao mesmo tempo que protege o meio ambiente, contribuindo para o equilíbrio e promovendo biodiversidade, cuidado com a água e regulação climática. 

Estudos reforçam essa importância: 

- Levantamento do Instituto Socioambiental (ISA) aponta que, na Amazônia, a perda de vegetação foi de apenas 1,74% dentro das Terras Indígenas, em contraste com 27% fora delas. No Cerrado, o desmatamento dentro das TIs foi de 5,89%, bem menor que os 54,4% registrados em outras áreas.

- Pesquisa da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e do ISA mostra que, entre 2003 e 2022, os quilombos perderam 1,4% de florestas, o que representa uma perda 82% menor do que a do entorno. 

As discussões se concentram no tema “Fortalecendo Economias Sustentáveis, Pessoas, Culturas e Gerações”, com foco em valorizar os territórios e maretórios tradicionais e conectando o evento à mobilização global pela COP30. 

Economias da Sociobiodiversidade - Movimentação financeira 2023 – Dados ÓsocioBi

Borracha - R$ 20,1 milhões (Extrativa: R$ 18,7 milhões; Cultivo: 1,4 milhão)

Castanha - R$ 2 bilhões (desse total, R$ 172,2 milhões extração)

Pirarucu - R$ 35,9 milhões (cultivo)

Total borracha, castanha e pirarucu - R$ 2,56 bilhões

Total geral (19 produtos – açaí, andiroba, babaçu, baru/cumaru, borracha, buriti, cacau, castanha, juçara, licuri, macaúba, mangaba, murumuru, pequi, piaçava, pinhão, pirarucu, sementes nativas, umbu) – R$ 17,4 bilhões.

Classificação Indicativa: Livre


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