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Bilhetes em presídio durante investigação contra PCC colocam Marcola e Deolane no centro de esquema de lavagem de dinheiro milionário

Operação Vérnix investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e aponta Marcola e Deolane Bezerra entre os envolvidos  |  Reprodução / Redes Sociais / Ministério Público

Publicado em 06/11/2026, às 12h54   Reprodução / Redes Sociais / Ministério Público   Tiago Di Araújo

Uma investigação iniciada em 2019, a partir de bilhetes apreendidos dentro de uma penitenciária paulista, acabou chegando a nomes de grande repercussão, como o apontado líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a influenciadora digital Deolane Bezerra. A apuração, que resultou na Operação Vérnix, investiga uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro que teria utilizado empresas e pessoas interpostas para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa.

Além de Marcola e Deolane, estão entre os investigados Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão do apontado chefe do PCC; Paloma Sanches Herbas Camanho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos dele; e Everton de Sousa, conhecido como “Player”.

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Caso voltou a ganhar movimentação na Justiça nesta semana

Na terça-feira (4), o advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa da família Camacho, protocolou uma manifestação contra as acusações apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele sustenta que os elementos reunidos pelo órgão não seriam suficientes para comprovar a responsabilidade criminal atribuída aos investigados.

As defesas de Ferullo e de José Albino Neto, advogado de Player, também apontam supostas irregularidades nas investigações que deram origem à operação. Todos os acusados negam as imputações.

Operação contra Marcola começou com bilhetes em presídio

De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, a investigação teve início em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes que circulavam entre detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

O material revelou informações sobre a dinâmica interna do PCC, a atuação de lideranças da organização criminosa e possíveis ataques contra agentes públicos. A partir das apurações, os investigadores chegaram a uma transportadora instalada no município, que posteriormente foi reconhecida judicialmente como instrumento utilizado para lavagem de dinheiro.

A descoberta levou à segunda fase da investigação, batizada de Operação Lado a Lado. Nessa etapa, foram identificadas movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos, além de indícios de crescimento patrimonial sem justificativa financeira suficiente.

Deolane aparece em mensagens e é apontada como integrante do núcleo financeiro

Durante a Operação Lado a Lado, os investigadores apreenderam um celular e analisaram conversas de pessoas ligadas à facção. Segundo a apuração, as mensagens indicaram possíveis repasses financeiros à Deolane Bezerra e apontaram vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores considerados fantasmas da transportadora.

A partir desses elementos, o Ministério Público passou a atribuir à influenciadora participação no núcleo financeiro da suposta estrutura criminosa. A investigação sustenta que a transportadora teria funcionado como um dos instrumentos para ocultar patrimônio e movimentar recursos ligados à família de Marcola.

Ministério Público dividiu investigados em três núcleos

Na denúncia, o Ministério Público descreveu uma organização dividida em três frentes, com funções distintas na estrutura investigada.

O núcleo decisório seria formado por Marcola e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. Já o operacional teria a participação de Everton de Sousa, o Player, e Paloma Sanches Herbas Camanho.

Deolane e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, por sua vez, foram apontados como integrantes do núcleo financeiro.

Defesa de Marcola contesta apelido usado na investigação

Um dos pontos questionados pela defesa diz respeito à identificação de Marcola nas conversas interceptadas. Bruno Ferullo sustenta que a inclusão do nome do cliente na investigação ocorreu “única e exclusivamente” por causa de um apelido que teria sido atribuído equivocadamente a ele em mensagens trocadas por terceiros.

Segundo a investigação, o codinome “Narigudo” seria utilizado por integrantes do esquema para se referir ao homem apontado como chefe do PCC. A defesa, porém, contesta essa associação e afirma que os elementos apresentados pelo Ministério Público não comprovam a participação de Marcola nos crimes investigados.

As manifestações das defesas agora integram a discussão judicial sobre as acusações relacionadas à Operação Vérnix. Até o momento, as imputações seguem contestadas pelos investigados.



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