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Humorista da Globo chama Flávio Bolsonaro de “mentiroso” após entrevista no Jornal Nacional: “Faltou muitas interrupções”

Paulo Vieira criticou a condução da entrevista de Flávio Bolsonaro e afirmou que declarações falsas deveriam ter sido contestadas imediatamente pelos apresentadores  |  Reprodução

Publicado em 29/08/2026, às 07h41 - Atualizado às 07h45   Reprodução   Redação Bnews

O humorista Paulo Vieira criticou a condução da entrevista de Flávio Bolsonaro (PL) ao Jornal Nacional, da TV Globo. Em publicações nas redes sociais, o artista afirmou que declarações falsas do candidato deveriam ter sido contestadas imediatamente pelos entrevistadores e reclamou da falta de interrupções durante a sabatina.

“Ao entrevistar um mentiroso, se não interromper a mentira e dizer a verdade de imediato, vira desserviço. Faltou muitas interrupções e explicações”, escreveu Paulo Vieira.

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O humorista também criticou especificamente um momento em que Flávio teria usado a Lei Rouanet como argumento ao responder sobre recursos recebidos.

“Por exemplo, ouvir calado o cara justificar ter recebido dinheiro sujo ROUBADO DOS APOSENTADOS com ‘pelo menos não usei lei Rouanet’ sem fazer nenhuma ponderação é foda.”

Falas de Flávio foram checadas

A manifestação de Paulo Vieira ocorreu após a entrevista em que Flávio deu declarações posteriormente classificadas como falsas, enganosas ou sem comprovação por serviços de checagem.

Uma delas ocorreu quando o candidato falou sobre os atos de 8 de Janeiro de 2023. “Não foi encontrada uma arma no 8 de Janeiro, Tralli”, declarou Flávio.

A afirmação foi classificada como falsa. Registros apontam que manifestantes roubaram armas do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) naquele dia. Depoimentos prestados à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) também indicaram a presença de granadas e coquetéis molotov.

Urnas eletrônicas

Flávio também reconheceu durante a entrevista ter errado ao relacionar uma empresa venezuelana às urnas utilizadas no Brasil. Apesar disso, negou ter colocado em dúvida o sistema eleitoral.

“Jamais questionei a questão do processo eleitoral”, afirmou. A declaração também foi classificada como falsa.

Em 2018, Flávio afirmou que seria “impossível garantir a lisura das urnas sem o voto impresso” e disse ter o “direito de desconfiar da urna eletrônica”. Naquele mesmo ano, compartilhou um vídeo falso que simulava uma urna completando automaticamente um voto em Fernando Haddad (PT).

Em julho de 2026, voltou a levantar suspeitas ao relacionar os equipamentos brasileiros à Smartmatic durante uma reunião com embaixadores.

Pix

Outro ponto questionado envolveu o Pix. Flávio atribuiu ao governo Jair Bolsonaro (PL) a criação do sistema e afirmou que a ausência de cobrança para pessoas físicas ocorreu por determinação do pai. “Foi feito na gestão do presidente Bolsonaro.”

Depois, acrescentou: “Não tem taxa no Pix porque o Bolsonaro exigiu que não tivesse”.

O Pix foi lançado em novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro, mas começou a ser desenvolvido antes. As primeiras discussões ocorreram em 2014, os estudos sobre o modelo começaram em 2016 e o desenvolvimento efetivo teve início em 2018.

A gratuidade para pessoas físicas foi definida pelo BC (Banco Central) em outubro de 2020. Não há indicação de que a medida tenha sido adotada por exigência de Jair Bolsonaro.

Banco Master

A relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, também entrou na lista de declarações contestadas. “A única relação que eu tinha com ele, Renata, era sobre esse filme e mais nada”, afirmou Flávio.

Conversas entre os dois, porém, indicaram uma proximidade maior. Flávio e Vorcaro se tratavam como “irmão” e chegaram a tentar marcar um jantar na casa do banqueiro, em São Paulo.

Em novembro de 2025, Flávio escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”.

Mudanças climáticas

Flávio também relativizou a influência humana nas mudanças climáticas durante a entrevista. “Eu acho que tem eventos climáticos extremos. Tem épocas cíclicas que fazem mais calor, tem épocas que fazem mais frio, tem épocas que chovem mais, e eu não acho que isso tem a ver diretamente só com a influência do ser humano”, declarou.

A afirmação contraria o consenso científico. Uma revisão de 88.125 artigos científicos publicada em 2021 apontou que mais de 99% dos estudos analisados atribuem as mudanças climáticas à ação humana.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) também considera que o aquecimento global é inequivocamente causado pelas atividades humanas, principalmente pela emissão de gases de efeito estufa.

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