Política

O que Vorcaro disse à PF? Banqueiro nega corrupção e faz aceno sobre delação: 'Poderia falar muito mais coisas'

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Preso na Papudinha, banqueiro negou atos de corrupção envolvendo servidores do Banco Central e voltou a sinalizar interesse em fechar acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal.  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 29/08/2026, às 07h27



O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou nesta sexta-feira (28) seu primeiro depoimento oficial à Polícia Federal (PF) em 2026.

Detido na carceragem da Papudinha, em Brasília, ele falou por videoconferência e negou a existência de atos de corrupção envolvendo servidores do Banco Central (BC), além de voltar a demonstrar interesse em fechar um acordo de colaboração premiada.

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A oitiva foi marcada para que Vorcaro explicasse sua articulação com ex-diretores do Banco Central antes da liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025.

Segundo as investigações, dois ex-diretores da instituição teriam atuado como "consultores" e "empregados" do banqueiro, orientando-o sobre como proceder diante de questionamentos feitos pelo próprio Banco Central.

O que Vorcaro disse à PF?

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou aos investigadores que não houve atos de corrupção envolvendo servidores do Banco Central.

A defesa informou que o banqueiro respondeu a todas as perguntas feitas pelos delegados "de forma clara e consistente", sem deixar "qualquer indagação sem esclarecimento".

Os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski também afirmaram que Vorcaro está disposto a fornecer informações mais detalhadas à investigação.

Segundo eles, o banqueiro pode prestar esclarecimentos "mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".

Vorcaro tenta fechar delação

O depoimento também marcou uma nova demonstração de interesse de Vorcaro em fechar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Esta foi a terceira vez que o empresário sinalizou intenção de colaborar.

A PF já rejeitou duas propostas apresentadas pela defesa. Na avaliação dos investigadores, os anexos entregues pelo banqueiro não apresentavam provas suficientes nem traziam elementos novos para as apurações.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) seguiu o mesmo entendimento.

Preso desde março, Vorcaro passou as últimas semanas discutindo estratégias para tentar convencer os investigadores a avançar nas negociações. Um eventual acordo pode aliviar sua pena caso seja condenado.

O banqueiro também busca proteção para familiares. O pai, o cunhado e o primo de Vorcaro estão presos preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras praticadas pelo Banco Master.

Depoimento sobre Banco Central

A Polícia Federal queria ouvir Vorcaro especificamente sobre sua articulação com ex-diretores do Banco Central na tentativa de impedir a liquidação do Master. O banco acabou liquidado em novembro de 2025.

O inquérito que apura esse episódio é um dos desdobramentos mais avançados da Operação Compliance Zero. A oitiva dos investigados costuma anteceder a conclusão do relatório da PF e o envio da lista de indiciados à Procuradoria-Geral da República.

O depoimento desta sexta ocorreu depois de dois adiamentos. Em uma das ocasiões, a defesa pediu mais tempo para acessar os autos. Na outra, problemas no sistema de videoconferência impediram a realização da oitiva.

Vorcaro falou aos investigadores diretamente da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde está detido desde junho.

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