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Publicado em 14/10/2026, às 08h43 Reprodução / SBT Tiago Di Araújo
O SBT sofreu uma derrota na Justiça de São Paulo em meio a uma disputa financeira com a N Sports, parceira da emissora na transmissão da Copa do Mundo de 2026. A decisão determina que o canal pague R$ 1,9 milhão em até 48 horas, valor destinado a cobrir compromissos financeiros de curto prazo da empresa esportiva.
A N Sports acusa a emissora da família Abravanel de não repassar integralmente os valores que teriam sido acordados a partir das vendas publicitárias do torneio. O SBT já recorreu para tentar suspender ou modificar a ordem de pagamento.
O conflito também ganhou repercussão nos bastidores do canal esportivo. Galvão Bueno, que era sócio da N Sports, decidiu deixar a empresa por discordar da disputa judicial.
Ao analisar o pedido da N Sports, a Justiça considerou que a falta de transferência dos recursos poderia comprometer a situação financeira da empresa, inclusive com atrasos no pagamento de funcionários e fornecedores.
A decisão reconheceu a existência de elementos que, neste momento do processo, sustentariam a concessão da medida provisória.
“Vislumbra-se que a documentação acostada à inicial é suficiente para demonstrar a probabilidade do direito do autor, sobretudo os documentos acostados aos autos, necessário à concessão da tutela provisória”, diz um trecho da decisão.
A determinação, porém, não representa o julgamento definitivo de toda a disputa entre as empresas.
Segundo a N Sports, o contrato firmado com o SBT previa que 26% das receitas obtidas com o torneio fossem destinadas à parceira, enquanto a emissora ficaria com os outros 74%.
A empresa afirma que o SBT realizou as vendas previstas no plano comercial, mas não teria transferido integralmente a parcela que lhe caberia.
A emissora apresenta outra versão. O SBT argumenta que alguns patrocinadores negociaram descontos e pagaram valores inferiores aos previstos na tabela comercial, prática que, segundo o canal, faz parte da dinâmica do mercado publicitário.
A emissora também afirma que já havia firmado um acordo para evitar a continuidade de conflitos judiciais e sustenta ter arcado com os custos da operação da Copa, inclusive despesas relacionadas à N Sports.
Um documento anexado ao processo pela N Sports registra que o SBT reconheceu a existência de repasses pendentes no valor de R$ 17 milhões e concordou em pagar a quantia de forma parcelada.
A empresa esportiva afirma ter contratado um empréstimo junto a um fundo financeiro para antecipar recursos e manter o fluxo de caixa enquanto aguardava os pagamentos previstos no acordo.
Segundo a N Sports, uma parcela do empréstimo, com vencimento em 10 de setembro, deixou de ser quitada porque o repasse que esperava receber do SBT não teria sido realizado.
Além dos R$ 1,9 milhão determinados para cobrir despesas imediatas, a N Sports pede à Justiça a retenção de R$ 40 milhões das contas do Grupo Silvio Santos, em caráter liminar.
Até o momento, porém, a decisão autorizou apenas o pagamento de R$ 1,9 milhão para atender às necessidades financeiras de curto prazo da empresa.
O SBT recorreu da determinação de pagamento imediato, enquanto a disputa sobre os repasses da operação da Copa do Mundo continua na Justiça.