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Publicado em 13/10/2026, às 11h10 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
A morte de Netinho, aos 60 anos, encerra a trajetória de um dos nomes conhecidos da axé music, mas também de um artista cuja vida pública foi marcada por controvérsias. Intérprete do sucesso “Milla”, o cantor conquistou o Brasil com músicas que embalaram carnavais e micaretas, enquanto declarações políticas e conflitos envolvendo sua canção mais famosa provocaram repercussão fora dos palcos.
Natural de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia, Ernesto de Souza Andrade Júnior ganhou projeção como vocalista da Banda Beijo antes de seguir carreira solo. Nos anos 1990, consolidou seu nome com “Milla”, além de sucessos como “Menina”, “Prefixo de Verão” e “Beijo na Boca”.
Em 2020, Netinho gerou críticas ao classificar o Carnaval de Salvador como “Sodoma e Gomorra”. Em entrevista ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, o cantor questionou a presença de manifestações de afeto entre pessoas do mesmo sexo durante a festa e fez críticas ao comportamento nos camarotes.
Na mesma entrevista, também fez declarações ofensivas sobre a comunidade LGBTQIA+. As falas motivaram reação pública e, na época, a Aliança Nacional LGBTI+ anunciou que pretendia apresentar uma denúncia contra o artista por supostas ofensas homofóbicas e transfóbicas.
@josiasteofilo Até porque CARNAVAL deixou de existir há muito tempo e foi substituído por FESTA DE SODOMA E GOMORRA.
— NETINHO OFICIAL BRASILEIRO (@NETINHOOFICIAL3) October 4, 2021
O episódio ampliou a repercussão das posições políticas do cantor, que manifestava apoio ao então presidente Jair Bolsonaro.
Outra controvérsia ganhou força em 2021, quando Netinho cantou “Milla” durante uma manifestação favorável a Bolsonaro, em São Paulo. O uso da música em vídeos publicados nas redes sociais desagradou ao compositor Manno Góes, que criticou a associação da obra ao ato político.
Góes afirmou que não pretendia impedir Netinho de interpretar a canção em apresentações, mas contestou sua utilização em conteúdos de divulgação política sem autorização. O compositor recorreu à Justiça contra a deputada Carla Zambelli, que havia publicado um vídeo do evento com a música.
Naquele ano, uma decisão judicial determinou a retirada de um dos vídeos das redes sociais da parlamentar, sob pena de multa diária. O caso expôs o conflito entre a posição política de Netinho e a discordância do compositor em relação à utilização da obra naquele contexto.
A trajetória do cantor também foi atravessada por graves problemas de saúde. Em 2013, ele enfrentou complicações médicas, sofreu acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e precisou passar por um longo período de recuperação.
Em fevereiro de 2025, Netinho revelou ter sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. A doença o afastou da agenda de shows durante o Carnaval daquele ano.
Após passar por tratamento e anunciar uma melhora, o cantor informou, em 2026, que o linfoma havia retornado de forma mais agressiva. Ele retomou a quimioterapia e foi internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, no fim de setembro.