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Publicado em 18/08/2026, às 09h18 Divulgação Tiago Di Araújo
O Brasil acordou em luto com a despedida de um dos nomes mais emblemáticos da dramaturgia nacional. A atriz Laura Cardoso faleceu às 23h24 de segunda-feira (17), aos 98 anos, em sua residência na capital paulista. De acordo com o bisneto da artista, Fernando Faria, a morte ocorreu de forma tranquila e por causas naturais.
Como trouxemos em matérias anteriores, o perfil oficial da artista nas redes sociais confirmou o falecimento na madrugada desta terça-feira (18), destacando o carinho de familiares e fãs:
"Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso."
O último adeus à veterana está marcado para esta terça-feira (18). O velório acontece das 8h às 14h na Funeral Home, localizada no bairro da Bela Vista, em São Paulo.
Em entrevista concedida à revista Quem em 2019, Laura havia refletido com sabedoria sobre a finitude da vida e revelado que encarava a morte com naturalidade e sem temores.
“Brinco com as minhas filhas que só tenho medo do fantasma. Mas não tenho medos, nem da morte. É uma besteira ter medo da morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. A gente não sabe quando ela vem, mas que ela é certa para todo mundo, ela é. Só não diz a hora que vem. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora”, ponderou a artista na ocasião.
Nascida no bairro do Bixiga, na capital paulista, e filha de imigrantes portugueses, Laurinda de Jesus Cardoso deu os primeiros passos artísticos aos 15 anos no radioteatro — ambiente em que conheceu o falecido marido, Fernando Ballerini. O casal teve duas filhas, Fátima e Fernanda. Eles também foram pais de José, que morreu com apenas três dias de vida.
Na televisão, esteve entre os nomes que inauguraram o formato no país. Sua estreia em folhetins ocorreu em 1952, no título Tribunal do Coração, exibido pela extinta TV Tupi.
Ao longo de sete décadas no meio artístico, a veterana somou mais de 100 produções na TV, no rádio, no cinema e nos palcos, além de trabalhos marcantes em dublagem — como a voz da personagem Betty no desenho Os Flintstones, na década de 1960.
A atração pelas telas rendeu papéis memoráveis na TV Globo, entre eles a mãe das gêmeas em Mulheres de Areia (1993) e Guiomar na primeira versão de A Viagem (1975). No cinema, atuou no longa Terra Estrangeira (1995), e no teatro participou de montagens icônicas como A Megera Domada (1965) e Laranja Mecânica (2002). Em 2006, sua contribuição à arte nacional foi reconhecida com a Ordem do Mérito Cultural.
Mais distante das novelas desde sua participação em A Dona do Pedaço (2019), como a personagem Matilde, Laura mantinha contrato vitalício com a Globo. Em 2025, reencontrou colegas como Tony Ramos e Susana Vieira ao gravar a vinheta de fim de ano da emissora e compareceu à inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, realizada em outubro daquele mesmo ano.
Sua paixão pela profissão era o que a movia. Como a própria atriz costumava pontuar sobre a aposentadoria: "A gente se aposenta quando vai embora".