Esporte
Publicado em 21/08/2026, às 05h00 Gerada por IA Alex Torres
Cada clube de futebol tem o seu mascote definido. Flamengo é o urubu, Corinthians é o gavião, Internacional é o saci-pererê, Cruzeiro é a raposa e assim por diante. No caso da dupla Ba-Vi, o leão representa o time rubro-negro, enquanto o super-homem representa o Bahia. No entanto, para além dos tradicionais, dois animais passaram a ser atribuídos aos respectivos clubes nos últimos anos: 'sardinha' e 'galinha'.
Para esses casos, os apelidos ganharam tom pejorativo e passaram a ser utilizados como forma de provocação da equipe rival. Dessa forma, quem torce para o Vitória chama o Bahia de 'sardinha', enquanto quem torce para o Tricolor, chama o Rubro-Negro de 'galinha'. A brincadeira já virou senso comum e, em alguns casos, o torcedor pode se apropriar da provocação sem ao menos saber como tudo isso começou.
🐟 Sardinha
O ano era 2011, o Bahia havia acabado de demitir o técnico Vagner Benazzi, em abril, e precisava de um comandante para o início do Brasileirão Série A. Na época, a diretoria tricolor sondou Joel Santana, que havia trabalhado no Esquadrão em outras duas oportunidades — 1994 e 1999 — mas estava sem clube desde março, quando pediu demissão do Botafogo.
A procura do Tricolor foi assunto durante uma participação do treinador ao programa "Bem, Amigos", do canal SporTV. Em tom de brincadeira, os membros do programa disseram que Joel Santana havia "recusado um acarajé" e ele explicou que estava tirando o momento para refletir a carreira. Mesmo assim, o comandante foi perguntado: "Mas o seu anzol está dentro da água?".
Está dentro da água esperando um peixe grande, sardinha não. Se vier, mando sair e deixar o 'grandão' que vem lá pegar. Um 'atunzão' daqueles para fazer bastante força", brincou Papai Joel.
Coincidência ou não, poucos meses depois, em setembro, Joel Santana desembarcou em Salvador para trabalhar no Bahia. Ele permaneceu na capital baiana até fevereiro de 2012, quando pediu para deixar o clube baiano para assumir o comando do Flamengo, que havia acabado de demitir Vanderlei Luxemburgo.
Desde então, a fala de Joel se tornou motivo de uma das maiores piadas que o Bahia sofre até os dias atuais. Em muitos momentos, os próprios jogadores do Vitória passaram a aderir a provocação, simulando uma pescaria. Em 2024, quando o Leão da Barra venceu o Baianão na casa do rival, por exemplo, os atletas levaram uma rede de pesca, além da bandeirinha de escanteio, que virou vara de pescar.
O Papai Joel Santana também teve outra passagem pelo tricolor em 2013, em meio à crise no então Fazendão, após a goleada de 5 a 1 – sofrendo o placar elástico de 7 a 3 aplicado pelo Leão da Barra na final do Baianão – sendo demitido em seguida.
🐓 Galinha
Se no caso do Bahia, a situação teve origem fora de campo, no caso do Vitória, o apelido de 'galinha' carrega uma das piores manchas na história recente do clube baiano. O momento aconteceu no Campeonato Baiano de 2018, em uma partida que era para ficar conhecida como "Ba-Vi da Paz". No entanto, as tensões para o duelo começaram antes mesmo da bola rolar.
Dias antes do confronto, o meia Vinícius, do Bahia, interagiu com alguns torcedores nas redes sociais e escreveu: "domingo é lá no Barralixo! Com as mães e as irmãs delas". A postagem repercutiu bastante e não caiu bem entre jogadores, comissão técnica e diretoria do Vitória. Assim, a partida realizada no estádio Manoel Barradas (Barradão) já começava com os nervos à flor da pele entre as equipes.
No confronto, o Leão abriu o placar com o atacante Denilson. No segundo tempo, pênalti para o Bahia e Vinícius pegou a bola, cobrou e igualou o marcador no clássico. Na comemoração, ele parou em frente à torcida rubro-negra e fez uma dança, que foi encarada como uma provocação pelos jogadores do Vitória. O 'tempo fechou' e pancadaria pesada tomou conta do gramado, com o zagueiro Kanu desferindo dois socos no rosto do meia do Bahia.
Ao final das cenas lamentáveis, o árbitro Jailson Macedo de Freitas expulsou três do Vitória — o zagueiro Kanu, e os atacantes Denilson e Rhayner — e dois do Bahia — o zagueiro Lucas Fonseca e o meia Vinícius —, além do zagueiro Rodrigo Becão e do volante Edson, também do Tricolor, mas que estavam no banco de reservas.
Poucos minutos depois, o volante Uillian Correia, do Vitória, fez falta e também recebeu cartão vermelho. Com isso, o Rubro-Negro tinha somente sete atletas em campo, enquanto o Bahia tinha nove. Se sentindo prejudicados, o Leão da Barra teria supostamente forçado mais uma expulsão, com o zagueiro Bruno Bispo, para que a partida fosse encerrada pelo regulamento, que proíbe um time de ficar com apenas seis jogadores em campo.
Desde então, a torcida do Bahia chama aquela partida de "A Fuga das Galinhas". O apelido faz alusão ao filme da DreamWorks, dirigido por Peter Lord e Nick Park, lançado em 2000. Nos últimos sete anos já teve mosaico, imitação de galinha e muito milho em campo nos gols marcados por jogadores tricolores em clássicos.