Esporte
Publicado em 09/06/2026, às 07h00 Rafael Ribeiro/CBF Gabriel Santana
Nos últimos tempos, a discussão sobre a falta de identidade da Seleção Brasileira, dentro e fora de campo, vem motivando o distanciamento do público com a equipe. O cenário torna os eventos e as partidas desinteressantes para o público comum que acompanha a Canarinho, e os motivos incluem a falta do jogo bonito e a “cara do futebol nacional”.
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Com um hiato de 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, surgem muitos “culpados” pelo insucesso do Brasil dentro de campo em uma Copa do Mundo.
Desde a vilanização de personagens específicos até a história de que algo externo como: a convulsão do Ronaldo Fenômeno em 98, 3 minutos em 2022, falta de comunicação no escanteio em 2010, o primeiro tempo contra a Bélgica em 2018, a bagunça do elenco e o meião de 2006. A tentativa de buscar vários motivos, além da falta do futebol vistoso, para tentar explicar as derrotas marcantes nos últimos anos.
A cultura de encontrar um “bode expiatório” talvez não seja uma forma de entender as derrotas sofridas. Por mais que o Brasil seja reconhecido, por muitas vezes, como “o país do futebol”, existe um adversário do outro lado que deseja vencer e ser campeão mundial tanto quanto a Seleção.
Em busca de voltar a trazer essa “identidade brasileira”, do futebol alegre, ofensivo, criativo e vencedor, a Seleção foi atrás da contratação do italiano Carlo Ancelotti. Comandante multicampeão na Europa e que surgiu como uma “salvação” para retomar o que nenhum outro técnico brasileiro consegue fazer.
Desde o seu início na beira do campo, ‘Carleto’ implementou um Brasil no esquema com quatro atacantes e um jogo ofensivo. E mesmo assim, com um ciclo bem oscilante, a Seleção não conseguiu trazer essa identidade histórica de um futebol convincente e vistoso.
Nem Ancelotti, com seu histórico vencedor, conseguiu resgatar (ainda) esse famoso “futebol brasileiro”. Então, será mesmo que o problema estava apenas no comando técnico?
Se eu soubesse onde está o problema, seria técnico e não jornalista, mas muito se discute sobre a qualidade (ou a falta dela) da atual geração de jogadores brasileiros.
Se antigamente, a Seleção tinha vários craques jogando juntos como em 70 e 2002, e o peso de ser a referência técnica de uma equipe caiu sobre os ombros de um jogador: Neymar Jr., e por muitas vezes tinha um coletivo desbalanceado e quase nada inspirado dentro de campo.
Já virou comum ver jovens brasileiros saindo cada vez mais cedo para a Europa por conta de muitos motivos compreensíveis, como salário, nível técnico de jogo altíssimo, melhora de condições de vida da família e tantos outros. E a discussão cai dentro novamente para dentro do campo.
O jovem jogador brasileiro, ao partir muito cedo para o continente europeu, aprende um futebol de sistema, posicionamento e intensidade. O seu drible, quando aparece, é visto como risco desnecessário. E o resultado é a robotização que a Seleção passa a jogar como um time europeu, mas com o sotaque brasileiro.
Entende-se que para performar em alto nível nos principais clubes do Velho Continente, é preciso se tornar muito mais tático além de habilidoso e que atualmente, o futebol não tem mais tanto espaço para o drible como antes e que agora se preza muito mais por “jogo de sistema”, como os times comandados por Pep Guardiola.
Outro fator é a distância da Seleção Brasileira com o público nacional, motivado muito pela falta de partidas em casa. Com toda a pressão do capitalismo por contratos financeiros de negócios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em mandar a maior parte dos seus jogos fora das eliminatórias para o exterior, pode ser um fator que impacta no distanciamento do público com a equipe Canarinho.
Sob a pressão de ter realizado a pior campanha da história da Seleção Brasileira em Eliminatórias para a Copa do Mundo, a equipe comandada por Carlo Ancelotti mostrou durante todo o ciclo conturbado desde 2022, que os jogadores não possuem mais aquele brilho característico das equipes campeãs mundiais.
Mesmo assim, como bom brasileiro, a torcida mantém as esperanças de que desta vez seja diferente das últimas edições. O desejo da torcida é que a equipe Canarinho, diante de todas as problemáticas que viveu durante o ciclo, consiga afastar a má fase e fazer a caminhada até o tão sonhado hexacampeonato.
A expectativa é que a partir do próximo dia 13 de junho, contra Marrocos, o Brasil dê o pontapé inicial de oito resultados positivos até a conquista da taça da Copa do Mundo, e retome a sua identidade vencedora que é tão famosa na história do futebol.
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