Esporte

Bahia ou Vitória? Conheça famílias que transformaram paixão pelo Ba-Vi em herança

BNews conheceu famílias que transformaram Bahia e Vitória em herança: uma levou o clube à certidão e outra fez o filho sócio aos 9 dias  |  Reprodução/Bnews TV

Publicado em 22/08/2026, às 10h32   Reprodução/Bnews TV   Analu Teixeira

Antes mesmo de entender o que significa um Ba-Vi, algumas crianças já aprendem para qual lado da maior rivalidade do futebol baiano devem torcer. Camisas, hinos, idas ao estádio e comemorações passam a fazer parte da infância e transformam uma paixão que começou com os pais em uma nova história de família.

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Às vésperas de mais um encontro entre Bahia e Vitória, marcado para este domingo (23), no Barradão, o BNews acompanhou duas famílias que mostram como o amor pelos clubes atravessa gerações. De um lado está André, rubro-negro que levou o Vitória até para a certidão de nascimento das filhas. Do outro, Pedro, tricolor que tornou o pequeno Mateus sócio do Bahia apenas nove dias depois de seu nascimento.

A relação de André com o Leão começou ainda durante a infância. Apesar de ter pais rubro-negros, foram principalmente uma madrinha, um tio e vizinhos que ajudaram a aproximá-lo das arquibancadas. Com o passar dos anos, o Vitória deixou de ser apenas o time pelo qual torcia e passou a influenciar até a rotina da família.

Hoje, antes de aceitar um convite ou marcar um compromisso, consultar a tabela de jogos já faz parte dos costumes. E quando as filhas nasceram, a paixão ganhou um significado ainda mais definitivo.

Na escolha do nome da primeira, André aceitou Gabriela, mas com uma condição: seria Gabriela Vitória. Anos depois, a própria primogênita ajudou a escolher o nome da irmã mais nova.

“Ela escolheu Laura. Aí eu falei: ‘Mas você quer Laura pura? Ou quer igual ao seu, Laura Vitória?’. ‘Não, eu quero Laura Vitória’”, contou André.

A influência, porém, já começa a deixar de ser somente do pai. Gabriela desenha o escudo do clube, escreve mensagens de incentivo e guarda lembranças relacionadas ao time. Uma delas ganhou até status de amuleto depois de uma coincidência especial. “Quando eu fiz essa carta aqui, o Vitória ganhou”, lembrou a pequena.

Do outro lado do clássico, a história de Pedro com o Bahia começou de uma maneira diferente. Filho de mãe paulista e pai baiano pouco ligado ao futebol, ele não recebeu a torcida como tradição familiar. A paixão nasceu após começar a frequentar a antiga Fonte Nova ainda criança, levado por amigos da mãe. 

“Quando eu entrei na antiga Fonte Nova e vi não só a torcida cantando, como um estádio pulsando, eu acabei virando Bahia”, relembrou.

Anos depois, Pedro decidiu construir com o filho a tradição que não recebeu dentro de casa. Mateus tinha somente nove dias quando ganhou a primeira ligação oficial com o Esquadrão. “Quando ele nasceu, eu tinha certeza de três coisas que ia fazer: o sócio do Bahia para ele, tirar a cidadania e matricular na escola que eu gosto muito”, contou.

Agora, o que inicialmente era uma escolha do pai começa a ganhar sinais de espontaneidade. Recentemente, Pedro acordou com o filho brincando de futebol dentro de casa e gritando: “Gol, gol, gol do Bahia”.

“Foi a primeira vez que eu vi ele gritando de forma tão firme, com uma emoção de gritar um gol pelo Bahia. A primeira coisa que eu fiz foi pular da cama e abraçar ele, como se estivesse comemorando um gol”, revelou.

Pedro Camilo conta como a paixão pelo Bahia começou ainda na infância Foto: Reprodução/BNewsTV
Matteo se tornou sócio do Bahia apenas nove dias após o nascimento Foto: Reprodução/BNewsTV
André levou a paixão pelo Vitória para a família e até para o nome das filhas Foto: Reprodução/BNewsTV
Desenho feito pela filha de André virou uma das lembranças da paixão da família pelo Vitória Foto: Reprodução/BNewsTV
Matteo, torcedor do Bahia, e as irmãs Gabriela e Laura, torcedoras do Vitória, já crescem cercados pela paixão dos pais Foto: Reprodução/BNewsTV

Loucuras que só o futebol explica

A relação dos dois pais com seus clubes também coleciona histórias que ajudam a explicar por que a paixão acabou chegando aos filhos.

André já atravessou uma viagem praticamente sem dormir para acompanhar o Vitória em Belo Horizonte e precisou retornar direto para cumprir os compromissos da rotina. Pedro tem uma lembrança ainda mais inusitada: após um título da Copa do Nordeste, comemorou correndo sem roupa pelo Rio de Janeiro.

As histórias são diferentes, assim como as cores escolhidas pelas duas famílias. O ponto em comum aparece na tentativa de transformar aquilo que viveram nas arquibancadas em memórias para os filhos.

Para Pedro, essa transmissão entre gerações faz parte da própria natureza da torcida. “A paixão, sem dúvida nenhuma, se cria, mas ela também se perpetua. Do jeito que criou em mim uma paixão de ser Bahia, eu vou perpetuar para ele talvez essa alegria e esse grande prazer que é ser Bahia”, afirmou.

Entre o vermelho e preto de uma casa e o azul, vermelho e branco da outra, os pequenos começam a construir a própria relação com o futebol. Os pais podem apresentar o clube, ensinar o hino, comprar a primeira camisa e levá-los ao estádio. O que ninguém consegue escolher é qual partida ficará marcada para sempre na memória deles.

E o próximo capítulo dessa história pode chegar já neste domingo, quando Vitória e Bahia voltam a ficar frente a frente no Barradão para mais uma edição do Ba-Vi.

Veja na íntegra:

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