Esporte
Publicado em 24/09/2026, às 19h07 Edu Andrade/ Staff Images/ CBF Leonardo Oliveira
Os clubes brasileiros das Séries A e B do Brasileirão buscam negociar com o Governo Federal um socorro financeiro em meio à crise com diversas dívidas. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem atuado como articuladora desse projeto.
A situação acontece ao mesmo tempo em que o Governo estuda uma Medida Provisória para proibir, ao menos em parte, atividades de bets no país. Tanto o Ministério do Esporte quanto a CBF mostraram interesse nesta ajuda econômica aos clubes, mas a expectativa é de que o tema só evolua depois das eleições.
A forma de funcionamento ainda está em discussão, mas a proposta é de se criar uma linha de crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES). Os clubes teriam acesso a empréstimos com taxas mais baixas do que as praticadas pelo mercado bancário, mas este dinheiro teria de ser destinado exclusivamente para o pagamento de dívidas.
Tal proposta se diferencia do Programa de Recuperação Fiscal (REFIS) que já foi executado, pois não envolveria apenas dívidas tributárias. Também está sendo discutida a possibilidade de liberação de dinheiro para investimentos em infraestrutura nos clubes com menos endividamento. Ou seja, esse dinheiro não estaria disponível para gastar em reforços, apenas para pagamento de dívidas e investimento em estrutura.
Corinthians e Internacional, clubes que atravessam grave crise econômica, sob transfer bans da Fifa, lideram as conversas. Osmar Stabile e Alessandro Barcellos, presidente dos clubes, buscaram apoio de Pedro Daniel, que atualmente é CEO do Atlético-MG e até o fim do ano passado era diretor executivo da EY. A consultoria produziu um estudo que ajudou a embasar as conversas com o Ministério do Esporte e a CBF. As negociações já acontecem desde o mês passado.
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A CBF tem participado das conversas, e o regulamento de Fair Play Financeiro, que entrou em vigor neste ano, tem sido utilizado para justificar tal acesso ao crédito. O argumento utilizado desta vez é que diferente de outros momentos em que as equipes precisaram ser socorridas pelo poder público, os clubes atuam dentro de um conjunto de regras rígidas de governança, num ambiente de maior controle e menor risco.
Ainda não está definido qual montante o BNDES poderia liberar, nem os critérios para a aprovação do crédito. Um dos argumentos do clube nas negociações é que a eventual proibição das bets agravaria ainda mais a situação econômica deles.
Existe o temor de que a medida inviabilize a operação da maior parte das empresas do setor, que é um dos principais parceiros publicitários dos clubes nos dias atuais. A estimativa é que as bets pagam cerca de R$ 1 bilhão por ano para estampar suas marcas nas camisas dos times da Série A. Há uma semana, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa das operadoras de aposta com a justificativa de que restrições a esse mercado simbolizariam o "fim do futebol brasileiro".
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