Esporte

Dirigente do líder da Série B critica possível fim das bets e faz ataques ao Bolsa Família: “Escravizou o preguiçoso”

Hugo Bravo, vice-presidente do Vila Nova, classifica discussão sobre as bets como eleitoreira e critica governo Lula ao citar o Bolsa Família  |  Roberto Corrêa / VNFC - Ricardo Stuckert / PR

Publicado em 20/09/2026, às 11h43   Roberto Corrêa / VNFC - Ricardo Stuckert / PR   Cauan Borges

A possível proibição das casas de apostas no Brasil provocou uma reação contundente do vice-presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo. Após a vitória por 1 a 0 sobre o América-MG, na última sexta-feira (18), o dirigente do atual líder da Série B do Campeonato Brasileiro classificou a discussão como uma “medida eleitoreira” e questionou a forma como o governo federal pretende lidar com o setor.

Na verdade, e aqui é sem cunho ideológico e partidário, é medida eleitoreira. O país está f*dido e querem colocar na conta da bet. O problema do país não é só bet. O problema chama-se Bolsa Família, que escravizou o preguiçoso. Há estados com mais Bolsa Família do que CLT registrada”, declarou.

Bravo também comparou as apostas a outros produtos e atividades que, segundo o dirgente, provocam problemas sociais, como álcool e cigarro. Para o vice-presidente, uma eventual proibição das plataformas regulamentadas poderia favorecer o crescimento do mercado clandestino.

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Nós temos problema de bebida. Nós temos problema do cigarro. A bebida, que talvez seja o principal mal do país, patrocina festa, show, Carnaval e o ‘diabo a quatro’. Temos que parar de hipocrisia. Quando você estrangula dessa forma que eles estão querendo estrangular, vai abrir o espaço para o jogo ilegal, as plataformas ilegais”, afirmou.
Vila Nova - Foto: Roberto Corrêa / Vila Nova F.C.
Guto Ferreira como treinador do Vila Nova - Foto: TV Anhanguera
Guto Ferreira como treinador do Vila Nova - Foto: Roberto Corrêa / Vila Nova F.C.
Guto Ferreira como treinador do Vila Nova - Foto: Roberto Corrêa / Vila Nova F.C.
Guto Ferreira como treinador do Vila Nova - Foto: Roberto Corrêa / Vila Nova F.C.
Vila Nova - Foto: Roberto Corrêa / Vila Nova F.C.

Apesar de defender a permanência das bets, o vice-presidente do Vila Nova reconheceu que as apostas podem provocar impactos sociais e defendeu a cobrança de impostos sobre a atividade. Segundo o dirigente, os recursos arrecadados poderiam ser utilizados para reduzir os danos associados ao setor.

O governo, em vez de ter pegado o dinheiro que está taxando, e precisa ter taxação mesmo, para reparar um pouco do dano social que causa. Se eu falar para você que não causa dano social, lógico que causa. Agora, é o mesmo dano que causa droga, crack, maconha, cocaína. Mas é abrir mão disso para depois ir para a ilegalidade, que é o que vai acontecer, porque o povo não vai deixar de jogar”, disse.

Assista:

⚠️ Hugo Bravo, vice-presidente do Vila Nova, detona medida do governo Lula contra as bets:

“Medida eleitoreira. O país está fudid* por outros fatores e querem colocar na conta da bet. O problema se chama Bolsa Família, que escravizou o preguiçoso. Tem estado do país que tem mais…

— Futmais | Menino Fut (@futtmais) September 20, 2026

Lula defende fim das bets

As declarações de Hugo Bravo ocorreram no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o fim das casas de apostas no país. Durante um ato em Guarulhos (SP), Lula afirmou que, caso dependesse de sua vontade, as plataformas deixariam de funcionar no Brasil. O presidente também rejeitou a tese de que a retirada das bets poderia comprometer o futebol brasileiro.

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Essa jogatina de internet não é jogo de aposta, é um vício. É uma doença chamada ludopatia (...) Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets nesse País”, declarou Lula.

O presidente também classificou como “balela” a afirmação de que o fim das apostas provocaria o enfraquecimento do futebol brasileiro. Lula citou clubes que conquistaram títulos mundiais antes da popularização das plataformas de apostas para contestar o argumento.

A discussão ocorre após clubes e entidades do futebol se manifestarem contra uma possível proibição das bets. As instituições alegam que o setor representa uma fonte relevante de patrocínios e receitas para o futebol brasileiro.

Confira o manifesto dos clubes na íntegra:

“O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.

Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável. O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.

Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.

Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.

Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.

Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.

Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições.

Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação. Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.

A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.

O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado.

O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização. O futebol está mobilizado, reconhece suas responsabilidades e quer participar da solução, de uma forma racional e consciente.

O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.

SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.

O FUTEBOL É QUEM ACABA.”

Classificação Indicativa: Livre


TagsCampeonato BrasileiroSérie BLulaVila Novabolsa famíliaHugo jorge bravo

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