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Esporte

Ex-Seleção aparece como beneficiário de R$1 milhão em investigação da PF sobre comércio ilegal de minério em terra indígena

Investigação aponta que o ex-zagueiro Pedro Geromel recebeu R$1 milhão de empresa ligada a esquema de comércio ilegal de cassiterita em terras indígenas  |  Divulgação / CBF - Nike

Publicado em 25/09/2026, às 16h23   Divulgação / CBF - Nike   Cauan Borges

O ex-jogador Pedro Geromel, que defendeu o Grêmio por 11 anos e a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2018, foi citado pela Polícia Federal (PF) em uma investigação sobre um suposto esquema de comercialização ilegal de cassiterita, principal mineral usado para a extração de estanho.

Segundo a corporação, o ex-atleta aparece como beneficiário de uma transferência de R$1 milhão realizada pela Metalsur Comercial de Aços Eireli. A empresa é investigada na Operação Disco de Ouro II por supostamente ter recebido no Brasil mais de US$20,4 milhões relacionados ao esquema.

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A apuração aponta que o grupo teria movimentado e ocultado mais de US$48 milhões, o equivalente a aproximadamente R$246 milhões. O repasse destinado à Geromel foi identificado em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) analisado pelos investigadores.

De acordo com a PF, a Metalsur teria sido utilizada para internalizar no Brasil recursos provenientes do exterior. Após a entrada do dinheiro no país e a conversão dos valores para reais, a empresa teria realizado transferências para pessoas indicadas pelos integrantes do grupo.

Entre os destinatários mencionados pela investigação estão Geromel, o cantor Alexandre Pires, empresários e empresas ligadas ao setor de eventos. A PF ressalta que os beneficiários citados não possuíam, segundo a investigação, relação com o comércio de metais.

Pedro Geromel quando ainda atuava no futebol brasileiro - Foto: Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @geromeloficial
Pedro Geromel quando ainda atuava no futebol brasileiro - Foto: Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @geromeloficial
Pedro Geromel quando ainda atuava no futebol brasileiro - Foto: Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @geromeloficial
Pedro Geromel quando ainda atuava no futebol brasileiro - Foto: Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @geromeloficial
Pedro Geromel quando ainda atuava no futebol brasileiro - Foto: Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @geromeloficial
Pedro Geromel quando ainda atuava no futebol brasileiro - Foto: Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @geromeloficial

PF pediu bloqueio de R$ 1 milhão

A Polícia Federal também solicitou à Justiça Federal o sequestro e o arresto de bens e valores de Geromel até o limite de R$1 milhão. O montante corresponde ao valor que, segundo os investigadores, teria sido transferido pela Metalsur ao ex-jogador. O pedido foi incluído entre as medidas patrimoniais relacionadas aos investigados, limitado ao suposto proveito obtido.

Para confirmar a identidade do beneficiário, a PF realizou consultas em bancos de dados e informou ter confirmado o CPF do ex-atleta, sem identificar homônimos no país. Segundo a corporação, a Metalsur pertencia a pessoas que mantinham vínculos pessoais com Diego Possebon, apontado pela investigação como líder da organização criminosa.

A presença de Geromel na documentação da investigação, contudo, não significa, por si só, que ele seja apontado pela PF como integrante da organização criminosa. O que consta no material citado é a identificação do ex-jogador como beneficiário de uma transferência realizada pela empresa investigada.

A Operação Disco de Ouro teve início após a apreensão, em janeiro de 2022, de aproximadamente 30 toneladas de cassiterita. Segundo a Polícia Federal, o minério teria sido extraído ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.

Na primeira etapa da investigação, os policiais identificaram uma suposta tentativa de dar aparência legal ao minério retirado de forma clandestina. A cassiterita extraída em Roraima teria sido declarada nos documentos como proveniente de uma área regular de garimpo localizada em Itaituba, no Pará.

A investigação também aponta que o grupo teria recorrido a empresas nacionais e estrangeiras, contas de terceiros, transações internacionais e ao chamado dólar-cabo para movimentar os recursos e dificultar a identificação de sua origem e destino. De acordo com a PF, o esquema teria utilizado documentos e registros para conferir aparência de regularidade à cadeia de comercialização e exportação da cassiterita.

🚨 Pedro Geromel é citado em investigação da Polícia Federal.

O ex-zagueiro do Grêmio aparece em um relatório da PF relacionado à Operação Disco de Ouro II como beneficiário de um repasse de R$ 1 milhão feito pela Metalsur Comercial de Aços, empresa investigada por movimentar… pic.twitter.com/8ZmPtEvxGL

— Grêmio Info (@GremioInfo_) September 25, 2026

Nova fase teve mandados de busca e apreensão

A segunda fase da operação foi deflagrada na quarta-feira (23) e, ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 ordens de sequestro de bens e valores, autorizadas pela Justiça Federal. A nova etapa busca esclarecer o uso de documentos com informações supostamente falsas em operações relacionadas à comercialização e exportação de minérios.

O cantor Alexandre Pires voltou a ser alvo da Polícia Federal durante essa fase da investigação. O artista já havia sido investigado na primeira etapa da operação, em dezembro de 2023, quando foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Segundo a PF, a nova investigação identificou indícios de que ele teria recebido valores de uma mineradora investigada.

As apurações sobre os pagamentos e a participação dos diferentes beneficiários seguem em andamento. Até o momento, a identificação de um repasse pela PF não estabelece, isoladamente, a participação dos destinatários no suposto esquema criminoso.

Classificação Indicativa: Livre


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