Esporte
Publicado em 25/08/2026, às 17h08 Divulgação / Grêmio Cauan Borges
O Grêmio sofreu, nesta terça-feira (25), uma restrição para registrar novos jogadores após ser enquadrado em um chamado Evento de Insolvência pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão responsável pela aplicação das regras de Fair Play Financeiro da CBF.
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A situação ganha atenção especial do Vitória, que ainda cobra valores do clube gaúcho pela contratação do zagueiro Wagner Leonardo. A medida funciona de forma semelhante a um transfer ban, mas não impede completamente o ‘Imortal’ de contratar jogadores.
A partir de agora, qualquer novo registro dependerá de autorização prévia da ANRESF. Este é o primeiro caso de aplicação da Seção 8 do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF), que está em vigor desde 1º de janeiro de 2026.
A restrição foi aplicada depois que o Grêmio apresentou à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) um plano coletivo para pagamento de credores. O objetivo do clube é quitar uma dívida de aproximadamente R$ 16 milhões, distribuída em 23 processos, ao longo de 60 meses.
De acordo com a ANRESF, a apresentação de um plano coletivo de pagamento configura um Evento de Insolvência. O mesmo enquadramento pode ocorrer em casos de recuperação judicial, recuperação extrajudicial ou alterações em planos de pagamento já existentes.
Com a decisão, a CBF foi comunicada sobre o bloqueio preventivo no sistema de registro de atletas, enquanto o Grêmio recebeu uma notificação formal e foi convidado a negociar um Acordo de Reestruturação com a agência.
Apesar da restrição, o clube gaúcho não está completamente impedido de contratar. A liberação de novos registros dependerá do cumprimento de critérios financeiros estabelecidos pela ANRESF.
Entre as exigências está a necessidade de o Grêmio possuir saldo positivo acumulado com receitas provenientes de transferências de jogadores na janela vigente. Além disso, os gastos com taxas e comissões de uma nova contratação, somados aos valores já desembolsados no período, não poderão superar o montante arrecadado com vendas.
A ANRESF também irá monitorar a folha salarial do elenco e da comissão técnica. A remuneração mensal deverá permanecer dentro do limite estabelecido pelo RSSF, sem ultrapassar a média registrada nos seis meses anteriores ao Evento de Insolvência.
Ao Globo Esporte, o Grêmio afirmou que não pretende realizar novas contratações nesta janela. No entanto, o clube ressaltou que teria condições de registrar um eventual reforço, caso necessário, devido aos valores arrecadados com vendas de jogadores.
Segundo a equipe, foram aproximadamente R$167 milhões arrecadados com transferências em 2026, enquanto os gastos com contratações permanecem abaixo desse montante. O clube também afirma que a média salarial do elenco está em queda.
Agência Fair Play da CBF ordena restrição ao Grêmio de contratar por plano de dívidas
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) August 25, 2026
A equipe gaúcha só poderá registrar novos jogadores com autorização do orgão. A medida ocorre porque o Tricolor entrou com um pedido de plano coletivo de dívidas na CNRD (tribunal da CBF).
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O clube baiano possui valores a receber do Grêmio pela transferência de Wagner Leonardo e já cobra a dívida por meio da CNRD. O problema financeiro entre as equipes gerou consequências para o próprio Rubro-Negro. Parte do dinheiro que o Rubro-Negro receberia pela negociação com o time gaúcho deveria ser repassada ao Portimonense, de Portugal.
Como o Tricolor Gaúcho não efetuou os pagamentos previstos ao Vitória, a equipe de Canabrava deixou de realizar o repasse ao time português. O Portimonense, então, acionou a FIFA, e o Vitória acabou punido com um transfer ban.
Para solucionar a situação e voltar a registrar jogadores, o Rubro-Negro precisou desembolsar 394 mil euros. Após a quitação da pendência, a punição foi retirada. Agora, o Vitória pretende incluir o valor gasto para resolver o problema com o Portimonense, além das penalidades relacionadas ao caso, na cobrança contra o Grêmio.
Além do processo que já tramita na CNRD, o Leão da Barra pretende recorrer à Agência de Fair Play contra o Grêmio a partir de 1º de novembro para tentar acelerar a recuperação dos valores referentes à transferência de Wagner Leonardo.
A ANRESF já começou a aplicar as novas regras contra clubes que possuem pendências financeiras. Em agosto, por exemplo, o São Paulo recebeu prazo de 45 dias para quitar uma dívida com o Novorizontino relacionada à contratação de Djhordney.
Na ocasião, foi determinado o pagamento de R$1 milhão, além de R$100 mil de multa e correção monetária. Caso a dívida não seja quitada ou não haja acordo, o São Paulo poderá sofrer um transfer ban. No caso do Grêmio, a restrição aplicada nesta terça-feira não foi provocada diretamente pela dívida com o Vitória, mas pela apresentação do plano coletivo de pagamento de credores na CNRD.
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