Esporte
Publicado em 09/07/2026, às 18h55 Reprodução/Bnews TV e Rafael Ribeiro/CBF Analu Teixeira
A preparação física das principais seleções da Copa do Mundo 2026 foi tema de análise do médico, escritor e palestrante Gabriel Almeida. Em entrevista ao Se Liga Bocão, nesta quinta-feira (9), o especialista afirmou que a medicina esportiva passou a ser um dos principais diferenciais do futebol moderno e avaliou que o Brasil ainda está atrás das equipes europeias nesse quesito.
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Segundo Gabriel, a diferença vai muito além da qualidade técnica dentro de campo e passa por uma estrutura completa de acompanhamento médico, nutricional e de recuperação muscular. "Como o futebol brasileiro está atrás do futebol europeu em relação à preparação de atletas. Hoje não tem como comparar", afirmou.
Ao comentar partidas do Mundial, o médico citou o alto nível físico apresentado por seleções europeias e destacou o trabalho desenvolvido por jogadores como o atacante Erling Haaland, da Noruega. "Você vê a rotina de treino e a nutrição de Haaland. É algo fora de série. O atleta faz gelo, faz câmara hiperbárica. Os caras são profissionais de verdade", disse.
Para Gabriel Almeida, a evolução da medicina esportiva reduziu a distância entre habilidade e desempenho físico, tornando a preparação um dos principais diferenciais das equipes de elite. "Hoje não é mais só a habilidade. Estão criando superatletas. A medicina está fazendo a diferença na Copa do Mundo", declarou.
O especialista também explicou que pequenos detalhes, como protocolos de recuperação muscular, alimentação personalizada e acompanhamento fisiológico, passaram a influenciar diretamente o rendimento dos jogadores durante competições de alto nível.
Na avaliação do médico, o investimento em ciência e tecnologia aplicada ao esporte é um dos fatores que explicam a vantagem competitiva apresentada por algumas seleções no cenário internacional.
Rotina fora de campo
Segundo Gabriel Almeida, a diferença entre Brasil e Europa não está apenas na estrutura dos clubes ou no local onde os atletas treinam, mas também nos hábitos mantidos fora dos horários de atividade profissional.
“Qual a rotina desses jogadores brasileiros após às oito da noite? Qual a rotina de Haaland após às oito da noite? Qual a rotina de Cristiano Ronaldo após às oito da noite?”, questionou.
O médico afirmou que parte dos atletas europeus é formada em uma cultura de maior disciplina esportiva desde cedo, enquanto muitos jogadores brasileiros, por origem social e trajetória de vida, passam a lidar com fama e dinheiro de forma repentina.
“Geralmente, os jogadores brasileiros que estouraram tiveram uma vida muito humilde, uma vida de dificuldades. O cara começa a ganhar dinheiro e quer comprar o mundo todo. Já o jogador europeu é criado numa cultura diferente”, avaliou.
Para Gabriel, esses fatores também ajudam a explicar a distância entre os modelos de preparação. Segundo ele, a rotina fora de campo pode influenciar diretamente o desempenho físico e a longevidade dos atletas em alto nível.