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Destruir as etiquetas das suas encomendas? Saiba a importância dessa prática

As etiquetas coladas nos pacotes trazem informações sensíveis sobre o consumidor,  |  Reprodução / Freepik

Publicado em 17/10/2025, às 16h06   Reprodução / Freepik   Leonardo Oliveira

Com certeza você já deve ter feito aquela comprinha online e esperou a encomenda chegar. No entanto, é importante alertar sobre algo que vem com ela e que precisa de atenção.

Trata-se das etiquetas coladas nos pacotes que chegam pelos Correios. Ela traz informações sensíveis sobre o consumidor, como nome completo, endereço e, às vezes, até mesmo o CPF. Desta forma, se as encomendas forem descartadas de maneira incorreta, as informações podem parar nas mãos de pessoas mal-intencionadas.

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O que ocorre?

Não existe um levantamento detalhado sobre vazamentos que acontecem através de etiquetas de encomendas. No entanto, o advogado Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em direito digital, proteção de dados e cibersegurança, afirmou ao UOL que deve haver cautela na exposição dessas informações pessoais. 

As informações podem ser utilizadas para fazer compras indevidas ou até mesmo abrir contas no nome das vítimas. "É o que chamamos de engenharia social: o criminoso coleta pedaços de informação e monta um verdadeiro 'quebra-cabeça' para se passar por você", explica o advogado.

“Já vimos diversos casos em que criminosos recolhem lixo de condomínios ou empresas em busca de dados. Rastrear esse tipo de vazamento é extremamente difícil, justamente por ser silencioso, físico e fora do radar das medidas digitais de proteção”, afirma.

O advogado também alerta para os cadastros no e-commerce, que ampliam a exposição, pois quanto mais compras são realizadas, mais empresas têm acesso aos dados.

"Além das etiquetas, os dados ficam armazenados em servidores, CRMs, marketplaces e sistemas de logística. Se essas plataformas não adotarem medidas de segurança adequadas, há risco real de vazamento em massa. E, como consumidor, você nunca tem 100% de controle sobre onde e como seus dados serão tratados", explica o advogado ao UOL.

Números relevantes

Desde a pandemia da covid-19, o comércio eletrônico cresceu no Brasil. Só no ano passado, o setor alcançou um faturamento de R$ 204 bilhões, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que o Brasil já registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025. Esse número representa um aumento de quase 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

"A maior parte dessas fraudes tem como alvo o setor bancário e os emissores de cartões", afirma Márcio Vital, especialista em direito digital, ao UOL.

Como se proteger?

É fundamental eliminar totalmente as informações antes de descartar a embalagem. Recomenda-se triturar ou rasgar a etiqueta em diversos pedaços, ainda mais aquelas onde aparecem os dados sensíveis.

“Passar marcador preto pode ajudar, mas se a tinta for fraca ou o papel muito fino, os dados podem ainda ser legíveis com luz forte ou aplicativos de imagem. O importante é entender: dado pessoal é ativo sensível e deve ser tratado como tal, inclusive no lixo”, explica o advogado Alexander Coelho.

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Outra recomendação é ficar atento nas compras onlines. Muitos criminosos utilizam as redes sociais para aplicar golpes. Dessa forma, é importante ficar alerta na hora de preencher dados cadastrais e não deixar suas informações em sites duvidosos..

Também desconfie de promoções que solicitam várias informações pessoais e nunca compartilhar fotos de encomendas com etiquetas visíveis. Além disso, é importante monitorar sempre o CPF em serviços de crédito e usar senhas fortes com autenticação em dois fatores.

“A proteção de dados começa com pequenas atitudes diárias. E no mundo de hoje, onde 'dado é o novo petróleo', proteger a sua privacidade é uma forma de proteger a sua identidade”, finaliza o advogado.

Classificação Indicativa: Livre


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