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Publicado em 08/08/2026, às 15h33 Reprodução/Redes sociais/Unsplash Antonio Dilson Neto
O caso da adolescente de 13 anos que se suicidou após, segundo as investigações, ser coagida por usuários da rede social Discord provocou reações de figuras públicas e mobilizou uma campanha pela suspensão da plataforma no Brasil.
A primeira-dama Janja da Silva foi uma das vozes mais enfáticas da empreitada, pedindo o banimento definitivo do Discor no país. A declaração aconteceu durante a sanção do projeto de lei nº 3066/2025, no Palácio do Planalto.
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Para Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inteligência artificial ouvido pela GloboNews, a plataforma apresenta falhas na proteção de menores e deveria ter adotado medidas de controle antes da repercussão do episódio.
Como é que as crianças e adolescentes estavam usando esses ambientes sem verificação de idade? Ou seja, o ECA Digital não estava sendo cumprido", afirmou.
Segundo o especialista, a legislação já estabelece mecanismos de verificação de idade para determinados ambientes digitais e, por isso, não seria necessária uma nova legislação para enfrentar o problema. "Nós não precisamos aqui de novas legislações ou regulamentações. O ECA Digital, notoriamente, não foi respeitado, não foi cumprido", declarou.
Ele também criticou a forma como o Discord lida com conteúdos potencialmente perigosos e classificou a plataforma como um ambiente "extremamente permissivo". De acordo com o especialista, o Brasil é atualmente o segundo principal mercado do Discord.
Basicamente, é uma terra de ninguém", afirmou.
Para explicar como a tecnologia poderia ser utilizada na prevenção de situações de risco, o especialista citou o funcionamento do YouTube durante transmissões ao vivo. Segundo ele, a plataforma consegue identificar determinados termos e contextos relacionados à automutilação e violência e interromper conteúdos potencialmente perigosos.
Durante uma live, por exemplo, no YouTube, se a pessoa mencionar determinadas palavras que incitem alguém a se mutilar ou até mesmo cometer um atentado contra a própria vida, a live é derrubada na hora. Ali você tem uma análise de contexto do que está sendo falado", explicou.
O especialista também chamou atenção para o desconhecimento de muitos pais sobre a plataforma e os ambientes de interação disponíveis nela. "Uma coisa que assusta é que certamente muitos pais que estão nos assistindo nesse momento nem sabem o que é o Discord. Então, é praticamente um universo paralelo", afirmou.
O debate ganhou força após a morte da adolescente de 13 anos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul, em 22 de julho. Na terça-feira (4), cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, foram apreendidos e um homem de 18 anos foi preso por suspeita de envolvimento no caso.
As investigações apontam que o grupo utilizava o Discord e o Telegram para atrair meninas, disseminar discursos de ódio, promover radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, nesta terça-feira (4), uma operação contra suspeitos de induzir uma menina de 13 anos ao suicídio durante uma "live" transmitida em rede social.
— GloboNews (@GloboNews) August 4, 2026
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