Geral

Esqueça, Darwin! Cultura vence genética na adaptação humana, aponta estudo

As práticas culturais tornaram-se protagonistas na adaptação evolutiva  |  Reprodução / Freepik

Publicado em 04/10/2025, às 11h59   Reprodução / Freepik   Leonardo Oliveira

Darwin ficou para trás? De acordo com um estudo publicado recentemente na revista científica BioScience, os autores Timothy M. Waring e Zachary T. Wood mostram que, atualmente, apenas mutações genéticas e seleção natural não conseguem mais dar conta da complexidade, velocidade e escala dos desafios que os humanos estão enfrentando.

As práticas culturais, como a medicina, as tecnologias, a organização social e as instituições tornaram-se protagonistas na adaptação evolutiva. Dessa forma, “a cultura resolve problemas muito mais rapidamente do que a evolução genética”, de acordo com Waring em comunicado.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

“A evolução humana parece estar mudando de marcha”, segundo professor de economia e sustentabilidade. Embora continue ocorrendo, conforme descrito por Darwin, ela mudou de ritmo e de mecanismo dominante. “Isso sugere que nossa espécie está no meio de uma grande transição evolutiva”, conclui.

As pesquisas anteriores sobre essa possível transição na evolução humana sempre travaram na complexidade da cultura adaptativa. Os autores propõem, no estudo atual, um novo mecanismo teórico e verificável, explicando como as diferenças genéticas e culturais podem impulsionar em uma grande transição evolutiva.

Saúde coletiva

O estudo indica que outras dinâmicas culturais (como cesáreas e tratamentos de fertilidade) substituem aos poucos a genética adaptativa, o que torna o ambiente cultural mais determinante para o sucesso individual do que a mutação de alelos genéticos.

O que importa mais: “os genes com os quais nasceu ou o país onde você vive?”, questiona Waring. Hoje, as tecnologias e comunidades do país em que vivemos nos influenciam mais do que os genes herdados.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube

A evolução indica que para prosperar, a espécie humana depende muito mais da saúde coletiva das sociedades e de sua infraestrutura cultural. Para além da biologia, sobrevivência e reprodução tornaram-se questões sociais.

Waring e Wood se apoiam em evidências antropológicas, biológicas e históricas no qual demonstram que as adaptações culturais vêm moldando as sociedades desde o desenvolvimento da agricultura. Esse padrão inverte as dinâmicas da seleção natural darwiniana.

Desta forma, a humanidade passa por “rebranding” evolutivo, em que a identidade se reposiciona de organismo genético para uma entidade culturalmente adaptativa, onde medicina, educação e infraestrutura coletivas definem quem somos e como sobrevivemos.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSaúdeestudoculturaagriculturaHumanosMutaçãodarwinevoluçãoAntropologiaWaringWood

Leia também


“A IA vai mudar literalmente todos os empregos”, afirma CEO de maior empregadora do mundo


Criminosos usam IA para clonar voz em ligações curtas e aplicar golpes financeiros