Justiça

TJBA aposta em escuta de homens condenados por violência contra mulheres para tentar evitar novos crimes

Rodrigo Oliveira Braga / BNEWS
Projeto “Digaí – Escutas do Indizível” será desenvolvido com internos do Conjunto Penal Masculino de Salvador e aposta na escuta como forma de prevenção  |   Bnews - Divulgação Rodrigo Oliveira Braga / BNEWS
Redação BNews com informações de Claudia Cardozo

por Redação BNews com informações de Claudia Cardozo

redacao@bnews.com.br

Publicado em 24/07/2026, às 12h23 - Atualizado às 12h28



O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) firmou, nesta sexta-feira (24), um acordo de cooperação com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para implantação do projeto “Digaí – Escutas do Indizível”, iniciativa voltada à escuta qualificada e ao acolhimento de homens condenados por crimes violentos contra mulheres. 

A assinatura ocorreu durante o encerramento do projeto Justiça em Território – Presença que Transforma, realizado na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, no Sul da Bahia.

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A proposta busca trabalhar aspectos subjetivos dos detentos para tentar prevenir novos episódios de violência após o cumprimento da pena. O projeto será desenvolvido como uma extensão do programa universitário PsiU, da UFBA, com foco em internos do Conjunto Penal Masculino de Salvador e apoio institucional do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do TJBA.

Projeto aposta na escuta para prevenir violência
O acordo foi apresentado pelo professor Marcelo Veras, psicanalista e psiquiatra, que representou o reitor da UFBA, Paulo Migues. Segundo ele, a iniciativa parte da ideia de que uma escuta no momento adequado pode evitar atos extremos.

Durante a fala, Veras destacou que o projeto pretende criar um espaço de escuta para homens que podem estar próximos de cometer atos violentos.

“Então, a nossa proposta é que essa escuta, que se começa agora, visa exatamente primeiro resgatar algo, mas sobretudo oferecer uma escuta a aquele homem que pode estar a um passo de fazer algo e que, como eu já vi vários testemunhos, nunca encontrado o que procuraram”, declarou.

“Uma orelhoria”, explica psicanalista
Ao explicar a proposta do projeto, Marcelo Veras fez uma comparação entre a ideia de ouvidoria e o papel da escuta oferecida pelo Digaí.

“Os senhores estão acostumados muito com a palavra ouvidoria. Ora, o que é que o Digaí vai fazer? Algo com um procedimento que vem com dispositivo tecnológico, sofisticadíssimo, que é a orelha. É uma orelhoria. Nós vamos tentar ouvir o que se passa com esses homens”, disse.

Segundo o psicanalista, o trabalho busca compreender elementos subjetivos envolvidos em comportamentos violentos.

“Quando falamos de indizível, é exatamente aquilo que a psicanálise, o que a gente procura é a base inconsciente, aquela base onde o amor não tinha palavras ainda. As palavras vêm depois, mas a primeira relação que a gente tenta resgatar é justamente entender onde foi que aquele homem, de alguma maneira, enlouqueceu, digamos assim, onde foi”, afirmou.

Combate ao suicídio e crimes contra mulheres
Durante a apresentação, Veras também relacionou a iniciativa à prevenção de suicídios e de crimes de violência contra mulheres. Segundo ele, o acolhimento pode ser um caminho para interromper situações de risco.

“Assim como alguém pode matar a si mesmo e quando encontra alguém do outro lado da linha, a gente consegue evitar isso (as estatísticas estão provando)”, declarou.

O presidente do TJBA, desembargador José Rotondano, destacou a assinatura do acordo durante o encerramento do projeto Justiça em Território – Presença que Transforma, que levou ações do Judiciário baiano para a região sul do estado.

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