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Indígena com pintura corporal é barrado em supermercado

Yawalapiti ressaltou que a pintura corporal era a sua roupa  |  Arquivo pessoal

Publicado em 09/04/2022, às 10h57   Arquivo pessoal   Redação BNews

O indígena Walamatiu Yawalapiti, do Xingu, no Mato Grosso, foi barrado em um supermercado de Brasília na última quinta-feira (7). Ele havia chegado com sua delegacão ao Acampamento Terra Livre para se somar à luta dos 200 povos que marcam presença na mobilização.

Segundo informações do site Mídia Ninja, depois da apresentação da delegação, de shorts, adornos e pintura corporal, Walamatiu foi comprar peixe para o almoço. “Andei por 20 metros e um segurança me parou, dizendo que eu não poderia entrar porque estava sem roupa. Ora, reclamam que indígena tem que usar roupa de indígena. Mas então, estou eu com meu traje de gala e sou proibido de entrar”, desabafou.

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Yawalapiti ressaltou que a pintura corporal era a sua roupa. “É meu traje de guerreiro, porque é para isso que eu vim”. Uma advogada que estava no supermercado, acompanhou a cena e passou a registrar a abordagem do segurança, via celular. O segurança, disse que eram ordens da “chefia”.

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Com a chegada da gerente o indígena não ficou calado. “E se a senhora não permitir minha entrada, então vai falar com o papel”, sugerindo que processaria o estabelecimento por racismo. “Por que vocês falam que se o indígena anda com roupa, não é indígena. E quando ele cultiva a sua cultura, ele não pode”. E então, segundo Walamatiu, ela se “convenceu” e pediu desculpas.

“O que fiz foi tentar educa-la, falando dos meus direitos. Se ela não acatasse, com certeza que eu acionaria a Justiça. Eu estou aqui para lutar, para que o governo respeite nossa cultura, nossos territórios”.

“Com respeito a gente muda a visão da pessoa. Dei uma chance para eles. Segui com o meu objetivo, comprei o peixe. Mas acima de tudo, dei uma lição para que eles não façam com mais ninguém o que fizeram comigo”.

O indígena lamentou a situação e citou o governo Bolsonaro. “Tenho sentido muitos golpes ao longo dos tempos. Eu estudava medicina, mas o governo cortou as bolsas. Voltei para a aldeia, não tinha condições financeiras".

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