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BNews Novembro Negro: A luta de candomblecistas contra a violência e o desrespeito à liberdade de culto

Praticantes de religiões afro-brasileiras enfrentam preconceito e desrespeito, desafiando os princípios do Estado laico  |  Bruno Peres / Agência Brasil

Publicado em 03/11/2025, às 06h00   Bruno Peres / Agência Brasil   Yuri Pastori

O Brasil é um país constitucionalmente laico e reconhecido por sua diversidade cultural. Mas, apesar disso, os praticantes das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, ainda são alvos frequentes de intolerância religiosa, desrespeito e demonização, o que viola o princípio do Estado laico e a liberdade de culto.


O candomblecista e estudante de Licenciatura em História na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) Jacson Lima, contou ao BNews que já sofreu abordagens preconceituosas em locais públicos por usar indumentárias religiosas.

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Na sua religião, ele é Dofonitinho Ajedãn, filho de Oxumaré, do Ilê Axé Gilodefan em Oliveira dos Campinhos, distrito de Santo Amaro, interior da Bahia. Pesquisador das religiões afro-brasileiras, Jacson desenvolve estudos sobre Exú e o ritual de Ipadé, além disso, é artesão e escreve poemas ancestrais.


O caso mais grave de intolerância religiosa sofrido por ele ocorreu na Central de Transbordo de Feira de Santana. Na ocasião, Jacson usava contas e cobria a cabeça, quando foi abordado por um homem, que tinha aparentemente 55 anos, e pregava no local com a Bíblia na mão. Ele conta que o homem colocou o dedo no seu rosto e lhe disse frases como “Jesus é o único caminho, a verdade e a vida”. Jacson relata que tentou se afastar cordialmente.


“Se o seu Jesus me ama, meu Oxalá te ama também, e que ele traga paz”, disse Jacson, tentando estabelecer um diálogo de respeito com o agressor. Imediatamente, o homem o respondeu de forma violenta: “Seu Oxalá está debaixo dos meus pés, porque ele é um diabo.”

O seu mal e de outras pessoas é que vocês não respeitam o outro, depois querem falar de Bíblia, querem falar de Jesus, querem falar de amor”, rebateu Jacson ao agressor, que fugiu do local ao perceber que seria filmado pela vítima.


Jacson relata que esse não foi um fato isolado. Em outro episódio, dentro de um ônibus, ao ser visto com suas vestimentas de Candomblé, três senhoras no fundo do veículo começaram a gritar. Uma delas se aproximou e tentou abordá-lo com uma mensagem: “Eu tenho um recado de Deus para você.”

Eu fui e falei, ô minha querida, se ele te deu o recado, pode ficar para você, pode ficar para você,” desabafou Jacson, que descreve o incômodo e a exaustão de ser constantemente alvo de julgamento por conta de sua fé.


Muitos espaços sagrados são depredados e submetidos a "Lei do Silêncio" imposta por vizinhos, intimidação e até ameaças armadas, que exigem a interrupção de rituais e celebrações.

Criminalização da intolerância

A criminalização da intolerância é vista por praticantes como Jacson como a única forma de garantir o direito constitucional de exercer a fé em segurança nos espaços públicos. Muitas entidades e líderes religiosos buscam responsabilizar o Estado brasileiro pela violência contra as religiões de matriz africana, inclusive por meio de instâncias internacionais de direitos humanos, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).


Outras iniciativas para combater o racismo e a intolerância religiosa são as Marchas de "povo de axé", como a Caminhada dos Terreiros, e a Lei que instituiu o dia 21 de março como o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé (Lei 14.519/2023), que visa valorizar e promover a cultura e religiosidade afro-brasileiras.

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