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Ditador da Nicarágua anuncia fim das eleições: "para que não tentem tomar o governo"

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou o fim das eleições para que opositores não tentem tomar governo e poder  |  Reprodução / Redes Sociais

Publicado em 20/07/2026, às 20h26 - Atualizado às 20h35   Reprodução / Redes Sociais   Davi Lemos

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou neste domingo (19) que o país não realizará novas eleições, sob o argumento de impedir que grupos opositores assumam o poder. Adversários do governo, muitos deles vivendo no exílio, denunciam há anos fraudes eleitorais, perseguição política e restrições às liberdades civis.

“Eles gostariam de vencer as eleições para lucrar com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder”, declarou Ortega durante uma cerimônia em Manágua pelo 47º aniversário da Revolução Sandinista.

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No poder desde 2007, o ex-guerrilheiro de 80 anos também anunciou que a Assembleia Nacional, controlada pelo governo, deverá aprovar “leis que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. “Por mais dinheiro que os ianques (EUA) lhes deem, eles não conseguirão”, acrescentou.

As eleições gerais estavam previstas para novembro, mas reformas constitucionais em vigor desde o início de 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos, transferindo, em tese, o próximo pleito para novembro de 2027. As mudanças, criticadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela oposição, também criaram o cargo de “copresidente” para Rosario Murillo, esposa de Ortega e então vice-presidente.

Após a declaração, o coletivo Nicaragua Nunca Más acusou o governo de eliminar os direitos da sociedade civil. “A Frente Sandinista tornou-se praticamente um partido único, sem oposição real dentro da Nicarágua”, afirmou o coordenador da organização, Salvador Marenco, ao citar o fechamento de mais de 5.600 entidades, a cassação de partidos e o encerramento de veículos de comunicação. “Tudo isso deveria fazer parte do jogo democrático, que já não existe na Nicarágua porque não existe Estado de Direito. Essas palavras não apenas enterram a possibilidade de eleições em 2027, como também reafirmam a impunidade”, completou.

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TagseleiçõesperseguiçãoNicaráguaDaniel OrtegaRevolução SandinistaFrente sandinista

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