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Publicado em 08/10/2026, às 08h37 Reprodução/CNN Samuel de Jesus
Maricarmen Abascal, de 87 anos, morreu nesta quarta-feira (7), em Madri, após ter seu nome envolvido em uma polêmica na Espanha. Ela sofreu um despejo do apartamento onde viveu durante cerca de 70 anos. O caso provocou uma onda de protestos pelo direito à moradia em diferentes cidades espanholas e colocou a crise habitacional no centro do debate político do país.
Spanish woman whose eviction sparked housing protests dies at 87 as crowds chant 'murder' https://t.co/Wrh46gg57w https://t.co/ZJCxWnwJvE
— New York Post (@nypost) October 8, 2026
Maricarmen estava internada no Hospital Gregorio Marañón desde 23 de setembro. A morte foi confirmada pelo Sindicato de Inquilinas de Madri.
A idosa morava desde 1956 no mesmo apartamento, no bairro do Retiro, uma região valorizada da capital espanhola. O imóvel foi vendido e passou a ser administrado pela empresa Urbagestión, que aumentou o aluguel para 2.650 euros mensais. Após a polêmica, a empresa apresentou uma proposta de 1.650 euros, valor que ainda era superior à aposentadoria de Maricarmen, de aproximadamente 1.350 euros.
Após anos de disputa judicial, a Justiça autorizou o despejo. A medida foi executada em setembro, depois de três tentativas por parte da empresa.
A retirada de Maricarmen foi o estopim para uma mobilização na Espanha. Milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra o aumento dos aluguéis e defender maior proteção aos inquilinos.
Na capital espanhola, em Madri, manifestantes chegaram a montar um acampamento na Puerta del Sol. O movimento ainda pressionou o governo a adotar medidas para enfrentar a crise habitacional.
Após a grande repercursão, a empresa proprietária chegou a um acordo que permitiria que Maricarmen voltasse ao apartamento pagando um aluguel ao que pagava anteriomente. O retorno, porém, nunca aconteceu. A idosa morreu antes de receber alta hospitalar.
O Sindicato de Inquilinas lamentou profundamente a morte e afirmou que o acordo firmado chegou tarde demais. Após a notícia, manifestantes que estavam na Puerta del Sol iniciaram uma marcha em direção ao Congresso espanhol e afirmaram que a luta continua.
A crise habitacional ganhou força no debate politíco espanhol, enquanto o governo de Pedro Sánchez apresentou medidas para tentar conter despejos e aumentos dos aluguéis. Após várias derrotas parlamentares relacionadas às medidas habitacionais, Sánchez anunciou a convocação de eleições gerais antecipadas para 29 de novembro.
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