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Na promoção: Carros de luxo despencam de preço e pode ter até R$ 200 mil de desconto

Montadoras na Argentina anunciam cortes de preços de até US$ 37 mil  |  Divulgação/Audi

Publicado em 10/03/2026, às 06h06   Divulgação/Audi   Redação Bnews

Comprar um carro de luxo ficou bem mais barato na Argentina nos últimos dias. Montadoras começaram a anunciar grandes reduções de preço, com cortes que chegam a dezenas de milhares de dólares, após mudanças nos impostos sobre veículos de alto valor no país.

Um dos exemplos mais chamativos é o Audi RS Q8, que teve redução de US$ 37 mil. O modelo agora custa US$ 250 mil, cerca de R$ 1,3 milhão na conversão direta. Outro caso é o Ford Mustang GT, que passou a ser vendido por US$ 65 mil. Antes, o carro tinha preço de tabela de US$ 90 mil no mercado argentino.

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A versão Mustang Dark Horse, a mesma comercializada no Brasil, também ficou mais barata. O modelo caiu de US$ 97 mil para US$ 75 mil. Além dessas marcas, veículos da Toyota, Lexus e Mercedes também passaram por reduções importantes, com descontos médios de cerca de 15%.

Fim do chamado “imposto do luxo”
A queda nos preços está ligada ao fim de parte do imposto interno aplicado a bens de alto valor, como carros, aviões e embarcações.

Conhecida popularmente como “imposto do luxo”, a taxa era de 18% para veículos acima de 79 milhões de pesos argentinos. Na prática, com a soma de outros tributos, a carga podia chegar a 21,95%.

O detalhe é que o imposto era aplicado antes mesmo da venda ao consumidor, quando o carro chegava à concessionária. Depois da inclusão das margens das lojas, o efeito final acabava atingindo veículos vendidos por mais de 105 milhões de pesos argentinos.

A mudança foi aprovada pelo Senado argentino no fim de fevereiro, junto com uma reforma trabalhista que também gerou debate no país.

Mudanças já vinham acontecendo
O governo do presidente Javier Milei já havia começado a mexer na estrutura tributária do setor automotivo. Em fevereiro de 2025, um decreto reduziu impostos internos sobre veículos de segmento médio.

Segundo o tributarista Sebastián M. Domínguez, da SDC Assessores, ouvido pelo G1, esse tipo de imposto já foi usado como instrumento para controlar a economia argentina em momentos de forte pressão cambial.

De acordo com ele, durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, as alíquotas chegaram a subir bastante, com a justificativa de proteger o mercado e evitar saída de dólares.

Em alguns casos, segundo Domínguez, a taxa nominal de 35% podia chegar a cerca de 50%, por causa da diferença entre o dólar oficial e o paralelo na época.

Hoje, porém, essa diferença diminuiu, o que abriu espaço para rever a política tributária sobre veículos.

Vendas fracas pressionam mercado
Outro fator que ajuda a explicar os descontos é o momento difícil do mercado automotivo argentino.

Desde o fim de 2025, as vendas de carros no país estão em ritmo fraco, o que também acabou afetando a indústria brasileira, já que a Argentina é um dos principais destinos de veículos produzidos no Brasil.

Com os preços menores, existe expectativa de que o setor volte a ganhar fôlego.

A nova regra que elimina o imposto passa a valer oficialmente a partir de 1º de abril, mas muitas montadoras já começaram a divulgar novas tabelas de preços com entregas previstas para os próximos meses.

Expectativa de reação da economia
Segundo especialistas, a aposta do governo é que a redução de impostos estimule as vendas e gere impacto positivo em toda a cadeia automotiva.

Algumas marcas já anunciaram descontos ainda maiores, beneficiadas também por acordos recentes entre Argentina e Estados Unidos.

Até o momento, montadoras como Alfa Romeo, BMW, Land Rover, Porsche e Volvo ainda não divulgaram os novos preços no mercado argentino.

A Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa) afirmou que o fim definitivo do imposto interno é um avanço para o setor, pois corrige distorções na formação de preços e traz mais previsibilidade para montadoras e fornecedores.

Classificação Indicativa: Livre


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