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Colunas / Na Sombra do Poder

Na Sombra do Poder: As Pickpockets da Bahia Marina

Os bastidores da política baiana  |  Imagem criada por IA

Publicado em 05/11/2026, às 05h40   Imagem criada por IA   Editoria de Política

As Pickpockets da Bahia Marina
Em Veneza, o grito é “Attenzione, pickpocket!”. Na Salvador dos restaurantes milionários, a expressão ganhou versão tropical e muito mais sofisticada. Uma nova categoria de frequentadoras estaria fazendo escola na Bahia Marina: as pickpockets de taça na mão e gosto por vinhos de quatro dígitos. O expediente preferido ocorre às quintas-feiras à noite e às sextas-feiras à tarde, quando coroas barrigudos desembarcam de suas lanchas e playboys desavisados confundem charme com interesse genuíno. No roteiro contado pelos habitués, as moças não precisam bater carteiras: escolhem a mesa, esbanjam simpatia, selecionam o rótulo mais caro e deixam a conta para o cavalheiro. Entre brindes, sedução e promessas, o saldo bancário pode sofrer mais que o fígado. Há quem fale até em desaparecimento de objetos e presentinhos inusitados. Na Europa, as pickpockets procuram carteiras nos bolsos. Na versão baiana, preferem que o próprio dono abra a carteira. Afinal, o perigo não é perder o relógio Rolex, mas descobrir que o verdadeiro romance era com o limite do cartão de crédito.

Ferry-Boat do Terror
Na Bahia de Todos-os-Santos, há uma tradição que atravessa governos, décadas e promessas eleitorais: o sofrimento de quem precisa atravessar a Baía de Todos-os-Santos. Mudam os governadores, os secretários, os dirigentes e até os nomes das embarcações. O que não muda é a humilhação do passageiro. No feriadão de Finados, o velho espetáculo voltou à cena: filas superiores a quatro horas em Bom Despacho, depois de dias em que apenas dois ferries operavam e até caminhões foram impedidos de embarcar. Um verdadeiro patrimônio da incompetência administrativa! A concessionária improvisa viagens extras, a agência reguladora anuncia fiscalização e o governo apresenta operações especiais como se estivesse oferecendo um favor à população. Mas feriado não é surpresa meteorológica, tampouco aumento de demanda é fenômeno sobrenatural. O problema é conhecido, previsível e vergonhosamente reincidente.

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A Confusão de Jorge e Mateus
Muitos políticos na Bahia mudam de tom conforme a conveniência e no próximo Réveillon há um ingrediente indigesto. Enquanto Recife e Fortaleza cancelaram apresentações de Jorge & Mateus após a repercussão do apoio de Jorge a Flávio Bolsonaro, Salvador resolveu remar na contramão. Bruno Reis manteve a dupla na virada e declarou que preferência política não é critério para contratação artística. A decisão provocou um contraste curioso: duas capitais nordestinas entenderam que a controvérsia comprometia o ambiente da festa; a capital baiana preferiu separar o palco das urnas. Não há prova de que o sertanejo tenha ofendido o Nordeste, como chegou a circular nas redes, mas sua manifestação eleitoral foi pública e inequívoca. O espetáculo ganhou um capítulo ainda mais inusitado. ACM Neto e Nikolas Ferreira, em manifestações no mesmo dia, recorreram a argumentos quase espelhados: ambos invocaram Daniela Mercury, imaginaram sua exclusão do Réveillon de Salvador e anteciparam acusações de censura e perseguição. Até a indignação tem o mesmo roteiro. Coincidência retórica ou sintonia política? A Prefeitura adotou uma posição de princípio ou simplesmente escolheu não enfrentar a polêmica?

A soberana
O Forte São Marcelo vai voltar a receber investimentos do governo da Bahia, pelo menos na parte elétrica. A escolhida para a missão foi a Soberana Construções LTDA., contratada por R$ 47,2 mil para reestruturar as instalações do monumento. Fechado há 15 anos, o equipamento histórico parece finalmente caminhar para uma nova fase. Resta saber se a Soberana fará jus ao nome e conseguirá devolver a majestade ao Forte do Mar ou se a soberania ficará restrita à conta de luz.

Um biólogo muito louco
Um famoso biólogo tupiniquim, conhecido por alardear aos quatro cantos da cidade supostos crimes ambientais, estaria prestes a ser interditado pelos amigos. Nos bastidores, a conversa é que o rapaz anda precisando de um pouco de descanso. Já não conseguiria distinguir árvores de pés de maconha, nascentes de rios de esgotos e preservação ambiental de qualquer terreno baldio. Pelo andar da carruagem, daqui a pouco vai precisar parar de tomar chá de cogumelo para distinguir uma denúncia ambiental de uma viagem da própria cabeça.

O comunista
Um conhecido secretário soteropolitano está prestes a revelar sua verdadeira face em público. Embora tenha conseguido esconder sua real natureza política dos olhares dos caciques brunistas e netistas, o figurão pode vestir a camisa vermelha nos próximos dias e mostrar que é digno de fazer o L em praça pública. Resta saber se ele será rifado antes ou depois do chá de revelação no Palácio Thomé de Souza.

Traições
Campeões de votos em um passado recente, alguns deputados eleitos estão "p..." da vida com prefeitos que prometeram muito e não entregaram nada nas eleições. Eles apontam que o fato de não conseguirem repetir o desempenho de outros pleitos se deve às muitas traições que sofreram ao longo da campanha. Muitos deles dizem que aportaram milhões em emendas em pequenos municípios que eram seus redutos, mas não tiveram um voto sequer em algumas dessas cidades.

Perda de espaço?
Um dos estados mais contemplados no governo Lula 3, a Bahia pode perder espaço na nova gestão do petista. A saída de Rui Costa da Casa Civil, por exemplo, já é dada como certa, mas ainda não se sabe se o senador eleito vai ocupar outro ministério. Ventilado na Segurança Pública, ele mesmo fez questão de desmentir a possibilidade ao BNews. A disputa por cargos na gestão federal já começou e promete se intensificar ainda mais nas próximas semanas.

Sonhando alto
A declaração de Jerônimo Rodrigues sobre a possibilidade de o PT não lançar um nome do partido para a disputa pela Prefeitura de Salvador em 2028 fez os olhos dos aliados brilharem. As legendas que orbitam o PT no estado já se articulam nos bastidores para viabilizar nomes que podem entrar na disputa pela capital. Resta saber se, daqui até lá, os planos vão continuar os mesmos.

O próximo passo
É... Alexandre Aleluia é o homem da vez para se tornar o presidente da Câmara Municipal de Salvador. O edil conseguiu juntar a base governista com quase toda a oposição para garantir a cadeira mais importante da Casa Legislativa. Enquanto uns estão prestes a colher os “louros”, há a dúvida sobre o que será de Carlos Muniz, o atual presidente. Será que ele irá se contentar em voltar para a planície após dois mandatos, principalmente depois de ser barrado na tentativa de um terceiro mandato? É o que todos querem saber: qual será o próximo passo do tucano. Ficamos no aguardo.

Cadê meu iPhone?
Um conhecido ex-prefeito do interior baiano se safou de voltar às páginas de notícias da Bahia por conta de um motivo indigesto. Acostumado a aparecer como um dos mais cobrados pelo TCM, ele agora pode ter que prestar contas à polícia por ter agredido e roubado um jornalista do interior baiano. O comunicador colocou a boca no trombone e resolveu denunciar. Resta saber se a polícia vai atrás do iPhone surrupiado pelo ex-prefeito ou se o gestor vai tomar coragem e devolver o que não é dele. Cenas dos próximos capítulos são aguardadas.

Corrida pelo passe e ciúme de tribuna
O clima pesado no plenário do STJ durante o julgamento da Operação Faroeste deu lugar a uma disputa de bastidores bem mais curiosa na Corte Especial. Ao saudar o ministro Og Fernandes pela aposentadoria que se aproxima, o advogado Délio Lins e Silva Júnior não se limitou a abrir as portas da advocacia ao magistrado: abriu também a corrida entre as seccionais da OAB para ver quem leva a cobiçada inscrição do futuro ex-ministro. Pernambucano de sangue e ex-presidente da OAB-DF, Délio mandou um recado direto a Ingrid Zanella, comandante da OAB de Pernambuco, avisando que a capital federal faz questão de disputar o passe do conterrâneo de braços abertos, sem desmerecer qualquer outro estado que venha a acolhê-lo. Mas a fala também guardou espaço para uma estocada cirúrgica de microfone. Délio fez questão de quebrar o protocolo ao justificar por que não havia falado no momento solene das homenagens, alfinetando o colega Marcelo Leal ao dizer que ele entrou na sessão parecendo jogador "doido para entrar em campo de futebol" para discursar. Para deixar claro o peso da sua própria palavra, arrematou que falava com a bênção direta da cúpula nacional da categoria, a pedido expresso do presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti.

Trauma no campo, trégua no litoral
A mágoa deixada pelo esquema de corrupção desbaratado na Operação Faroeste não impediu o reconhecimento público da importância da Bahia e de sua magistratura na Corte Especial do STJ, mas deixou sequelas profundas no setor produtivo. Ao sustentar a defesa do produtor Nelson Vigolo, o advogado Délio Lins retratou o drama de empresários que aportaram dezenas de milhões de reais no agronegócio do oeste baiano e acabaram enredados no balcão de chantagens montado no Judiciário estadual. Apesar do tom duro ao narrar a extorsão praticada pela engrenagem criminosa, a defesa fez questão de dissociar o bando que operava nos gabinetes da essência do estado e do tribunal. A cicatriz, contudo, ficou evidente na frase atribuída a Vigolo e levada aos autos: traumatizado pela paralisia dos investimentos e pelo temor constante, o sojicultor garantiu que continuará frequentando as praias e o litoral baiano, lugar pelo qual nutre admiração confessa, mas jurou que negócios e plantios no solo da Bahia nunca mais entrarão em seus planos.

Recado da toga
O desfecho da Ação Penal 953 na Corte Especial do STJ deixou marcas indeléveis nos bastidores do tribunal e não passou sem recados contundentes de quem viu o caso de perto. Antes de o resultado ser proclamado, a ministra Nancy Andrighi quebrou o protocolo para afagar a atuação de emergência da Defensoria Pública da União, elogiando o empenho do defensor que subiu à tribuna aos 45 do segundo tempo para segurar a defesa de Sandra Inês e do filho Vasco, evitando que o processo naufragasse em nulidades. Já a régua moral do julgamento foi puxada pelo ministro Herman Benjamin, que não dourou a pílula ao classificar o esquema desbaratado na Bahia como o mais grave e complexo episódio de corrupção judicial já enfrentado pelo Judiciário brasileiro em suas duas décadas de atuação na Corte. Ao justificar o voto de condenação contra ex-colegas de magistratura, Benjamin arrematou com a sobriedade amarga de quem cumpre uma missão institucional pesada, lembrando que proteger a jurisdição exige cortar a própria carne, mesmo diante do envolvimento de cifras bilionárias e de desvios que mancharam a toga no oeste baiano.

Não é contra a Bahia
O desfecho da condenação de Sandra Inês e do filho Vasco na Corte Especial do STJ teve o cuidado cirúrgico dos ministros para não transformar a devassa da Operação Faroeste em um carimbo generalizado contra o Judiciário baiano. No encerramento do voto, o relator Og Fernandes fez questão de demarcar a fronteira ética do julgamento, frisando com todas as letras que a caneta do tribunal não estava mirando a respeitável magistratura da Bahia, formada por centenas de juízes e desembargadores probos que honram a toga, mas punindo indivíduos específicos que privatizaram a função pública para enriquecer a própria família, como se o cargo fosse feudo ou capitania hereditária.

Calote, blefe e ruína
Nos corredores forenses de Salvador e de Brasília, a fatura cobrada a Sandra Inês Rusciolelli na Ação Penal 953 foi vista como a crônica de um desastre anunciado, pavimentada por sucessivos tiros no pé. A ex-desembargadora e o filho Vasco não apenas viram o Ministério Público Federal rescindir o acordo de colaboração premiada por quebra deliberada de compromissos, como colecionaram desafetos no próprio meio jurídico ao ganharem fama amarga de maus pagadores. Entre bancas que deixaram a causa às pressas, o comentário de bastidor é que a dupla tentava empurrar honorários oferecendo como garantia patrimônios já asfixiados por ordens judiciais de bloqueio, o que explica a necessidade de a Defensoria Pública da União ter sido escalada aos 45 do segundo tempo para evitar a nulidade do julgamento. No fim das contas, a manobra de tentar driblar a Justiça custou caro: além de amargar penas pesadas em regime fechado, Sandra Inês perdeu a cinematográfica mansão de Praia do Forte para a União e, o que a toga nunca recupera, viu escorrer pelo ralo o que restava de sua moral pública.

O prêmio de chegar primeiro
A concessão do perdão judicial a Júlio César Cavalcanti na Ação Penal 953 reacendeu no meio jurídico aquela provocação inevitável de boteco e corredor de fórum: no xadrez da corrupção, o crime compensa ou a pressa em se arrepender é o único negócio que sobra? Operador confesso, braço de redação de sentenças sob encomenda e figura carimbada no gabinete de Sandra Inês, Júlio sai do epicentro da Faroeste com a ficha processual zerada de pena de prisão. Mas o pragmatismo da Justiça penal não mede virtude, mede utilidade. Enquanto a ex-desembargadora e o filho tentaram pechinchar termos e descumpriram compromissos até perderem a delação, Júlio foi cirúrgico: entregou o mapa da mina, topou ação controlada com a Polícia Federal, abriu gravações, e-mails e pen drives, e serviu de alicerce para quase uma dezena de ações penais. O recado que o STJ deixa carimbado não é moralizante, é puramente estratégico: quando a casa cai, a lealdade entre cúmplices é a primeira a virar pó, e quem corre primeiro para o balcão do Ministério Público leva o salvo-conduto, deixando para quem relutou a fatura inteira da cadeia e do opróbrio.

Quadrilha da RMS
Uma nova geração de jovens empresários de classe média parece ter descoberto a fórmula mágica para conquistar as prefeituras da Região Metropolitana de Salvador: chegar antes, oferecer apoio político e mirar as licitações. De olho nas eleições de 2028, a turma já está circulando pelos municípios, prospectando prefeitos, financiando aproximações e disputando espaço nos cofres públicos. Livros didáticos, obras, medicamentos, coleta de lixo, iluminação pública e serviços de manutenção urbana. Nada escapa ao radar dos meninos. Onde existe orçamento, aparece um interessado. O histórico recente recomenda atenção. A Operação Nota de Conceito, em Lauro de Freitas, investigou suspeitas envolvendo a compra de tablets; a Operação Xeque-Mate, em Madre de Deus, mirou fraudes em contratações municipais; a ofensiva do GAECO na SEMAN e na DESAL, em Salvador, alcançou suspeitas de desvios milionários; e a novíssima Operação Caro Leitor, com desdobramentos em Salvador, colocou a compra superfaturada de livros didáticos novamente nas páginas policiais. Alguns personagens circulam livremente, como se estivessem acima de qualquer suspeita. Mas convém não confundir liberdade com impunidade. Na RMS, os negócios seguem a todo vapor e a próxima operação pode surpreender quem hoje se julga intocável.

BRB: a Herança Maldita do TJBA
Na Bahia, o escândalo dos depósitos judiciais tem endereço de origem: a gestão anterior do TJBA, que, em 2021, decidiu trocar o Banco do Brasil pelo BRB, entregando bilhões de reais à instituição de Brasília. Houve licitação, contrato de cinco anos e até comissão especial, instituída pelo Decreto Judiciário nº 552/2021. Sobrou solenidade. O que ainda falta esclarecer é a profundidade da avaliação dos riscos financeiros, tecnológicos e operacionais daquela escolha. A conta chegou em 2026. O BRB mergulhou no escândalo bilionário do Banco Master, envolvendo operações investigadas por suspeitas de irregularidades. Quando a atual gestão do Tribunal tentou corrigir o rumo e transferir os depósitos para a Caixa, descobriu que a saída não seria simples: o Distrito Federal recorreu ao STF, alegando risco à liquidez do banco. Uma liminar prorrogou o contrato por 90 dias. Poucas semanas depois, vieram 520 transferências Pix indevidas, somando R$ 53,1 milhões. A pergunta que a antiga administração precisa responder é simples: como se entregou tamanho patrimônio judicial sem mecanismos de proteção capazes de evitar uma crise dessa dimensão? A comissão acompanhou a entrada, mas a saída virou problema de Supremo Tribunal Federal. Na Justiça baiana, a gestão passou, o contrato ficou e o risco explodiu. A atual administração tenta desatar o nó. Advogados e jurisdicionados aguardam respostas. Afinal, quem decidiu a mudança já deixou o comando, mas quem precisa receber seu dinheiro continua pagando a conta da escolha.

Classificação Indicativa: Livre


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