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Sombra Retrô: Dalva Sele

Os bastidores do passado da sociedade baiana  |  Arquivo

Publicado em 18/09/2026, às 05h57   Arquivo   Editoria de Política

Dalva Sele
Em 2014, às vésperas da eleição para o governo da Bahia, o nome de Dalva Sele Paiva virou um dos assuntos mais explosivos da política baiana. Ex-presidente do Instituto Brasil, ela acusou, em entrevista à revista Veja, a existência de um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à construção de casas populares e afirmou que parte do dinheiro teria sido usada para financiar campanhas do PT. O episódio incendiou a disputa eleitoral daquele ano e acabou ficando conhecido como o “caso Dalva Sele”. Anos depois, porém, vieram decisões do TCE-BA apontando irregularidades na execução de convênios do Instituto Brasil, incluindo notas fiscais falsas, despesas não comprovadas e movimentação irregular de recursos. Em 2017, Dalva e outros envolvidos foram condenados pelo TCE-BA a devolver mais de R$ 8 milhões aos cofres públicos.

O escândalo do painel
Em 2001, Antônio Carlos Magalhães protagonizou um dos maiores escândalos do Senado ao ter acesso à votação secreta que cassou o então senador Luiz Estevão. O sistema eletrônico do Senado havia sido violado, e a lista dos votos acabou chegando às mãos de ACM. Depois de inicialmente negar que conhecia o conteúdo, o cacique baiano admitiu ter tido acesso aos dados. O episódio provocou uma crise política, levou o Conselho de Ética a recomendar sua cassação e terminou com a renúncia de ACM ao mandato, numa tentativa de escapar da perda dos direitos políticos.

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O Club Med 
Durante quatro décadas, o Club Med de Itaparica foi o endereço em que o Brasil oficial tirava o paletó. Inaugurado em 1979, primeiro vilarejo da rede francesa no país: bangalô sobre palafita, golfe, tênis, G.O. bronzeado, festa na piscina, crazy sign, open bar e o isolamento que a balsa garante. Quem chegava à portaria deixava o sobrenome do outro lado. Quem saía jurava que tinha sido só férias. A lista da recepção era o retrato da elite. Artista, tenista, técnico, narrador, empresário de linhagem, político que precisava desaparecer da coluna sem desaparecer do mapa. Evento corporativo de dia, pista à noite. A praia quase privativa. O paparazzo do lado de lá da água. A arquitetura fazia o resto: chalé longe do chalé, vegetação com capricho de biombo, o vilarejo como bolha. O que acontecia entre um jantar de mesa mista e o bangalô do fundo não ia para a ata. É aí que a lenda se revela. Encontro sexual discreto não era acidente de temporada: era parte do clima que a marca vendeu ao mundo, liberdade, desapego, o G.O. na mesma mesa da madame, o romance de sete dias com pacto de silêncio na saída. Em Itaparica, o pacote ganhou freguesia pesada. Fala-se que havia festa que não estava no mural dos Gentis Organizadores. Porta fechada. Lista curta. Político, empresário, advogado de agenda inflada, gente de toga e gente de procuradoria. O mesmo círculo que de dia discute rito, contrato e denúncia. De noite, o all-inclusive era outro. Não há vídeo na Caixa de Pandora nem foto no Orkut. Havia o que o isolamento compra: a certeza de que na ilha não tinha testemunha. O resort fechou em 2019. Mas a esperança de que um novo Club Med reapareça está nas rodas da sociedade baiana, ainda que não seja do outro lado da ilha.

O valioso relacionamento amoroso
Havia o empresário de idade avançada na Bahia, aquele tipo que constrói império, que vistoria jardim como se vistoriasse balanço, metódico, exótico e discreto ao mesmo tempo, que prega meritocracia e prefere justiça a palanque. Viúvo de agenda, patrimônio à vista, a cidade inteira sabia o tamanho da conta. E havia a socialite. Já tinha sido muito rica. O brilho restou no gesto, no sobrenome que ainda abre porta, na beleza que reluzia mais alto do que o extrato. O contraste era o espetáculo: ela no auge da pose, ele no outono da biografia. A sociedade baiana, que finge choque e não desgruda o olho, fechou o diagnóstico cedo. Namoro, sim. Interesse, quase certeza. Ele, no entanto, não era ingênuo de novela. Durante o romance fez de tudo para que o afeto não ganhasse firma. Endereço separado, conta separada, dormir junto somente em dia de semana, só o cuidado jurídico de quem já antevê o cartório como segundo capítulo. Evitar a união estável virou método. Não por frieza de folhetim, mas por cálculo de quem já viu patrimônio virar objeto e sabe que a falência alheia tem faro. O namoro acabou. A ação chegou. A socialite, caixa no vermelho e memória no ouro, bateu à porta da Justiça querendo fatia do que ele passou a vida a erguer. Vítima anunciada: o homem que tentou não misturar cama e dinheiro e mesmo assim virou réu afetivo. Até hoje o desfecho não atravessou o corredor com clareza. Processo que se arrasta é processo que alimenta o disse-me-disse. A coluna não dá nome, mas a cidade já deu o veredicto no copo de champanhe.

Classificação Indicativa: Livre


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