Política

PF aponta relações de candidato a deputado estadual com facções criminosas; TRE barra candidatura

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Relatórios citados pelo Ministério Público Eleitoral apontam contatos atribuídos ao candidato com integrantes do CV, TCP e milícias; candidatura foi barrada pelo TRE-RJ  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 18/09/2026, às 06h38



A candidatura de Vaguinho Neguinho (PRD) a uma vaga de deputado estadual no Rio de Janeiro foi barrada pela Justiça Eleitoral após uma investigação da Polícia Federal apontar supostos vínculos do político com diferentes estruturas criminosas da Baixada Fluminense.

O caso envolve referências ao Comando Vermelho (CV), ao Terceiro Comando Puro (TCP) e a grupos milicianos, organizações rivais entre si. As informações são da coluna de Tácio Lorran, do portal Metrópoles.

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu o registro de Vaguinho na sessão de 14 de setembro, com base no entendimento de que havia elementos indicando vínculo com organizações criminosas. A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os elementos foram apresentados no pedido de impugnação formulado pelo Ministério Público Eleitoral. No documento, o órgão cita uma “vasta capilaridade política” de Vaguinho entre grupos criminosos e afirma haver material considerado relevante sobre os contatos atribuídos ao candidato.

Vaguinho é vereador de Nova Iguaçu e busca chegar à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo o TRE-RJ, o conjunto analisado no processo incluiu trocas de mensagens com lideranças criminosas e outros elementos reunidos durante a investigação.

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Mensagens com integrantes do Comando Vermelho

Um dos episódios descritos na investigação envolve a atuação profissional de Vaguinho no setor de telecomunicações.

Segundo o material citado pelo Ministério Público Eleitoral, um homem apontado como integrante do Comando Vermelho teria procurado diretamente o candidato para solicitar a instalação de um ponto de internet em uma área conhecida como “boca de fumo do Paraíso”.

Nas mensagens interceptadas pela PF, o interlocutor teria se apresentado como responsável pelo local e tratado diretamente com Vaguinho sobre o serviço.

O relatório citado pelo MPE aponta, a partir desses elementos, indícios que os investigadores relacionaram à atuação do candidato junto ao grupo criminoso.

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Fotos e contatos com milicianos

As investigações também apontaram supostas conexões com integrantes de milícias que atuam na Baixada Fluminense.

De acordo com o material apresentado ao Ministério Público Eleitoral, foram identificadas conversas e fotografias que associariam Vaguinho a dois homens conhecidos pelos apelidos de “Cientista” e “Tubarão”, apontados pelas investigações como lideranças milicianas em Seropédica e na Baixada.

Outro episódio citado no pedido de impugnação envolve uma mulher que teria procurado Vaguinho depois de afirmar ter sido vítima de furto cometido por integrantes da milícia.

Segundo o relatório, o candidato teria informado que alguém entraria em contato com ela e, posteriormente, os objetos teriam sido devolvidos.

Suposto contato com liderança do TCP

Outro núcleo da investigação trata de contatos atribuídos ao candidato com integrantes do Terceiro Comando Puro.

O relatório da PF aponta que um homem identificado como Dinei teria funcionado como intermediário para aproximar Vaguinho de Wallace de Brito Trindade, conhecido como “Lacoste”, apontado pelas investigações como uma liderança do TCP na Comunidade da Serrinha.

O caso também envolve uma movimentação financeira. Segundo informações reunidas a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Vaguinho teria emprestado R$ 40 mil a Lacoste.

Movimentação financeira chamou atenção da PF

Os investigadores também analisaram as movimentações financeiras atribuídas ao candidato.

Segundo relatório da Polícia Federal encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, Vaguinho movimentou R$ 14.216.470,08 entre 6 de março de 2020 e 22 de fevereiro de 2024.

O documento apontou diferença entre esse volume financeiro e o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral em 2022, que somava R$ 1.977.298,70.

Para as eleições de 2026, Vaguinho declarou patrimônio de aproximadamente R$ 3,1 milhões.

Candidatura foi indeferida pelo TRE-RJ

Ao analisar o caso, o TRE-RJ considerou que havia elementos suficientes para indeferir o registro da candidatura. Segundo a Corte, o conjunto probatório apontou forte vinculação do candidato a estruturas criminosas e milícias da Baixada Fluminense.

A decisão integra uma série de julgamentos realizados pelo tribunal neste mês envolvendo candidatos investigados por supostas ligações com organizações criminosas. Com os casos analisados em 14 de setembro, o TRE-RJ informou ter chegado a dez registros indeferidos com fundamento na proibição constitucional de utilização, direta ou indireta, de organização paramilitar no processo eleitoral.

O caso de Vaguinho ainda está sujeito a recurso. A defesa do candidato contesta as acusações apresentadas no processo.

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