BNews Nordeste
Publicado em 25/08/2026, às 06h25 - Atualizado às 06h33 Caio Loureiro/Dicom TJ-AL Redação Bnews
O desembargador Márcio Roberto Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), publicou nas redes sociais, na quinta-feira (19), um extrato de sua conta bancária com saldo de R$ 96,10 ao fim do mês.
A postagem foi feita um dia antes do pagamento dos vencimentos dos desembargadores e serviu de argumento para o magistrado defender o salário recebido pela categoria e questionar os chamados “penduricalhos”.
Na publicação, intitulada “O CUSTO DA CORAGEM E O SALDO DO FIM DO MÊS”, Márcio Roberto afirmou que decidiu consultar sua conta-salário no BRB, instituição financeira que administra as contas dos magistrados em Alagoas.
“Aproveitando que finalmente consegui um momento de repouso, decidi acessar minha conta-salário no BRB — instituição financeira que administra nossas contas em Alagoas —, para conferir a situação. O resultado? Cheguei ao fim do mês “de boa”, ou seja, com um saldo positivo de R$ 96,10 (noventa e seis reais e dez centavos), com as graças de Deus”, disse.
O desembargador também criticou a forma como os salários da magistratura são abordados pela imprensa e afirmou que o valor recebido é resultado de seu trabalho.
“Amanhã, dia 20/08, como é público, notório e frequentemente divulgado com alarde pela mídia – quase sempre com aquele tom crítico, malicioso e inconsistente que busca generalizar e desmerecer a aguerrida Justiça brasileira e seus incansáveis magistrados -, irei receber o meu merecido salário, pois sou desembargador do TJAL. Um ganho que é fruto de muito trabalho, suor e, acima de tudo, honra”, destacou.
Em agosto, Márcio Roberto recebeu R$ 70.082,99 de vencimentos líquidos, segundo dados do portal de transparência de remuneração do TJ-AL, segundo levantamento feito pelo colunista Carlos Madeiro, do Uol.
O valor foi o maior recebido pelo desembargador no ano. Entre janeiro e julho, a média do vencimento líquido mensal foi de R$ 65.311,38. Em todos os demais meses, os valores recebidos também ficaram acima do teto constitucional, de R$ 46.366,19.
Na mesma publicação, o desembargador afirmou que não recebeu os chamados “penduricalhos” e disse não ter conhecimento de onde estariam esses valores.
“A propósito, sobre os chamados e decantados “penduricalhos”, sequer tenho conhecimento de onde estavam eles. Simplesmente não os recebi e, por isso mesmo, não tenho saudade do que nunca fez parte da minha realidade financeira”, acrescentou.
Márcio Roberto ocupa uma vaga destinada ao Ministério Público e está no Tribunal de Justiça de Alagoas há cerca de dois anos.
Em janeiro deste ano, chegou a anunciar que pediria aposentadoria da cúpula do Judiciário alagoano, classificando alguns integrantes como “pobres semideuses”. Depois, voltou atrás e permaneceu na corte.