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“Mãe, eu te amo”: último contato de estudante antes de ser encontrada morta na casa do namorado intriga família em Fortaleza

Estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta em condomínio em Fortaleza, e o caso ainda está sob investigação policial  |  Reprodução / Redes Sociais

Publicado em 20/09/2026, às 09h57   Reprodução / Redes Sociais   Cauan Borges

A mensagem “Mãe, eu te amo” foi o último contato de Isabelle Caracristi, de 22 anos, com a família antes da estudante ser encontrada morta no condomínio onde morava com o namorado, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso aconteceu na noite de 13 de setembro e ainda é investigado pela Polícia Civil.

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A história trágica que envolve a universitária ganhou repercussão nas redes sociais depois que a mãe da estudante, a professora Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo no Instagram cobrando esclarecimentos sobre a morte da filha. 

Na noite em que morreu, Isabelle havia avisado a mãe sobre uma comida que tinha deixado na airfryer. Depois, enviou a mensagem de despedida. Segundo Isorlanda, a filha também costumava enviar uma mensagem de “boa noite” diariamente, o que não ocorreu naquela ocasião.

Aí, depois disso, pronto. Nada. Ela não me deu ‘boa noite’, porque toda noite ela me dava ‘boa noite’. Não me deu ‘boa noite’, eu fiquei, achei que ‘não, mas ela tomou relaxante muscular, deve ter dormido’... Mas meu coração sempre, sempre apertado, me dizendo que a mãe sabe, a gente pressente, a gente tem um sentimento, a gente sabe disso”, relatou.
Isabelle Caracristi - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Isabelle Caracristi - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Isabelle Caracristi - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Isabelle Caracristi e sua mãe - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Isabelle Caracristi - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Isabelle havia passado o fim de semana com a mãe antes de retornar ao condomínio onde morava com o namorado, a sogra e um irmão do companheiro. Na manhã de 14 de setembro, Isorlanda continuava sem conseguir falar com a filha. A genitora tentou entrar em contato com o namorado de Isabelle por ligações e mensagens, porém percebeu que havia sido bloqueada.

Posteriormente, a professora  foi até o condomínio acompanhada do irmão, tio de Isabelle. No local, os familiares foram informados pela síndica de que a jovem havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido encaminhado para a sede da Perícia Forense.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ainda não havia, até a publicação da reportagem, um laudo da Perícia Forense que apontasse a causa da morte.  A pasta informou que a investigação está sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. Uma equipe da Perícia Criminal esteve no condomínio na noite de 13 de setembro para realizar o atendimento da ocorrência.

Conforme as informações obtidas durante o atendimento, o óbito ocorreu na mesma data, por volta de 20h40”, informou a SSPDS.

Família do namorado não compareceu ao sepultamento

Segundo Isorlanda, o namorado e a mãe dele não responderam às tentativas de contato feitas pela família de Isabelle após a morte da estudante. Eles também não teriam comparecido ao velório ou ao sepultamento. O irmão da vítima, Rafael Magalhães, afirmou à TV Verdes Mares que os familiares continuam sem explicações sobre o que aconteceu.

Eu não sei por que que a família [do namorado] também não esteve presente no enterro. Foi muito ruim, porque a gente recebeu amigos, os amigos de Isabelle, amigos meus, amigos da minha mãe… E não tinha nenhum familiar, quiçá um representante, digamos assim”, declarou.

Rafael afirmou ainda que, antes da morte da irmã, tinha a percepção de que Isabelle era bem recebida pela família do namorado. A TV Verdes Mares tentou contato com o companheiro da estudante, sem retorno até a publicação da reportagem.  A emissora também conseguiu falar por telefone com a mãe dele, que encerrou a ligação depois que a reportagem se identificou. Novas tentativas não foram atendidas. 

O escritório onde o namorado de Isabelle trabalhou informou, em nota, que João Munhoz exerceu “exclusivamente atividades de natureza administrativa” e que deixou de prestar serviços à empresa. A companhia também afirmou que Isabelle trabalhou no local por “aproximadamente 20 dias, do final de julho ao início de agosto, quando solicitou seu desligamento por razões de ordem pessoal”.

Como era o relacionamento?

Em vídeo publicado nas redes sociais, Isorlanda contou que a filha cursava o segundo semestre de Direito e havia conseguido, em julho, um estágio em um escritório de advocacia de Fortaleza.

Foi nesse período que Isabelle conheceu o homem que posteriormente se tornou seu namorado. De acordo com o relato da mãe, o parceiro de Isabelle passou a supervisionar diretamente o trabalho da estudante e teria ficado satisfeito com o desempenho dela.

Até estranhei porque, em pouco tempo assim, já conseguiu avaliar o desempenho… Levou para trabalhar diretamente, tirou ela do setor onde ela estava, levou para o setor dele, onde ele era o gestor desse setor”, comentou.

Segundo Isorlanda, Isabelle demonstrava entusiasmo com o estágio e relatava que participava de audiências on-line e tinha contato com diferentes atividades do escritório. A mãe afirmou que chegou a alertar a filha sobre a possibilidade de sofrer algum tipo de assédio, diante da proximidade profissional com um homem mais velho. 

Segundo a genitora, o relacionamento teria começado menos de dez dias depois do início do estágio. Apesar das preocupações, Isorlanda aceitou conhecer o então namorado da filha durante um almoço. A mãe contou que chegou a buscar informações sobre a família dele enquanto estava no restaurante.

Depois desse almoço, me senti mais reconfortada, mas mesmo assim, coração de mãe sabe, sente, que não tinha uma coisa normal ali. Era um exagero, uma coisa muito rápida, uma coisa muito acelerada. Coisas que só adolescente tem, e não um homem feito, de 33 anos de idade”, contou.

Mãe relatou comportamento "controlador"

O relacionamento passou a gerar preocupação entre Isorlanda e outros familiares de Isabelle. Segundo a professora, as duas chegaram a discutir sobre o namoro, embora ela tenha decidido permanecer próxima da filha para evitar o afastamento entre as duas.

Isorlanda também afirmou que percebia um comportamento que considerava controlador por parte do namorado. Entre as situações que chamaram sua atenção, segundo o relato, estavam um pedido para que Isabelle emprestasse o cartão de crédito para que ele realizasse uma cirurgia e a proposta de utilizar o nome da estudante para abrir uma empresa dos dois.

Eu enlouqueci… Como é que pode um homem, que se diz bem sucedido… (...) Gente, a mãe dele não vai pagar essa cirurgia, ele não tem cartão, ele não tem um plano de saúde?”, recordou a professora.

Apesar das preocupações apresentadas pela família, Isorlanda afirmou que Isabelle estava apaixonada pelo namorado e se mostrava animada com a possibilidade de construir uma empresa ao lado dele e seguir carreira na advocacia. A causa da morte da estudante ainda depende do resultado dos exames periciais. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Ceará.

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