BNews Nordeste
Publicado em 28/09/2026, às 11h43 Reprodução/Redes Sociais Redação BNews
Mensagens de texto e de áudio enviadas por Isabelle Caracristi, de 22 anos, antes de ser encontrada morta, revelam ameaças, controle e o comportamento do namorado, João Munhoz Neto. Ele está preso e é investigado pela morte da estudante de Direito.
No conteúdo exibido pelo programa Fantástico, neste domingo (27), Isabelle afirmou que o namorado tinha um comportamento "doente". O áudio foi recuperado pela polícia do celular de Isabelle, encontrado junto ao corpo da jovem.
"Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu? Que eu simplesmente não estou suportando mais", disse em um áudio enviado ao primo minutos antes de morrer.
Na mesma mensagem, Isabelle pediu para que o primo desse "muita força" para a mãe, porque ela iria precisar.
"Tudo que eu faço é ameaça, ameaça, tudo, absolutamente tudo. Eu não consigo, por exemplo, fazer nada sozinha, porque se ele não estiver junto, ele fica supondo coisas. Eu não posso postar foto, porque ele acha ruim, enfim, vários fatores de uma pessoa doente, sabe?", contou a jovem.
Já para as amigas, Isabelle também se queixou do comportamento controlador do namorado. Segundo ela, o homem chegava a ficar na porta para impedir a passagem dela.
"Eu não tô legal. Eu tô passando muito, muito mal. Eu até mandei um áudio pro meu primo e pra algumas pessoas da família, porque simplesmente esse João é um louco, é um louco. (...) Eu simplesmente não aguento mais, eu não aguento mais. Eu estou cansada. Hoje foi a gota d'água", relatou.
O caso aconteceu na noite de 13 de setembro, em um bairro nobre de Fortaleza. Imagens de câmeras de segurança mostram a jovem chegando ao prédio com o namorado e subindo para o apartamento, no 15º andar. João sai para ir à missa, e Isabelle fica em casa, mas, pouco depois, ela é vista pela última vez no elevador, às 19h12.
Segundo o primo, ele costumava ser o confidente de Isabelle, especialmente sobre o relacionamento. Naquela noite, ele chegou a ligar para a jovem após ouvir parte da mensagem, mas ela não respondeu.
No aparelho, os investigadores também encontraram conversas trocadas entre ela e o namorado. Em uma delas, João cobra R$ 13,5 mil e diz que também precisa do dinheiro da mãe até quarta-feira. Isabelle diz que teve gastos durante a semana, e ele responde que os dois estão em um "beco sem saída" e que precisam do dinheiro.
Ao Fantástico, a advogada da família da vítima, Patrícia Viana, confirmou o empréstimo, mas disse que a postura de João mudou após a movimentação financeira.
"Nesse ato desse empréstimo, ele transforma a generosidade com outros pedidos: 'Eu confio em você, me passa a localização. Eu te dei dinheiro. Por que você não me desbloqueia?'. Ela mostrava um cansaço absoluto", afirmou.
À polícia, João afirmou que tinha emprestado pouco mais de R$ 14 mil a Isabelle e que a mãe dele tinha emprestado outros R$ 7 mil. Ele, no entanto, negou ameaças e disse que só fez uma cobrança mais firme quando o prazo venceu, mas sem agressões.
Investigadores tentam explicar por que Isabelle teria se jogado do terraço do prédio, de uma altura de mais de 70 metros.
Segundo a perícia, a queda foi uma precipitação voluntária, ou seja, não há indícios de que ela tenha sido empurrada. A hipótese de queda acidental também foi descartada após análise da altura do parapeito.
De acordo com o perito Wellison da Silva Tavares, coordenador da perícia técnica, disse que a velocidade do impacto ficou em torno de 130 km/h.
"Ela caiu em posição vertical, em pé, trazendo assim uma grande parte das lesões dos membros inferiores", afirmou.