Polícia

Comandante do Bepe cobra presidente da TUI após mortes antes do Ba-Vi: “Seja transparente”

Após episódios de violência, Farias pede que presidente da TUI assuma responsabilidades e mantenha transparência nas comunicações  |  Devid Santana / BNEWS e Joilson César / BNews

Publicado em 24/08/2026, às 19h21   Devid Santana / BNEWS e Joilson César / BNews   Analu Teixeira

O tenente-coronel Flávio Farias, comandante do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (Bepe), cobrou publicamente o presidente da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), Gabriel Oliveira, após os episódios de violência registrados antes do Ba-Vi do último domingo (23), em Salvador. Em entrevista à Baiana FM nesta segunda-feira (24), o oficial pediu transparência ao dirigente e afirmou que ele precisa assumir responsabilidades enquanto presidente da organizada.

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As declarações acontecem um dia após duas mortes serem registradas antes do clássico. José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, morreu após ser atacado com arma branca na Avenida 29 de Março.Já Lucas dos Reis Bomfim, de 19, foi morto no bairro de Castelo Branco. Segundo a Polícia Civil, levantamentos iniciais não apontam relação entre os dois casos.

Ao comentar o planejamento de segurança para o Ba-Vi, Farias afirmou que a TUI comunicou previamente ao Bepe os locais onde haveria concentrações da torcida. Entre os pontos informados estavam Jardim Cruzeiro, Luís Anselmo, Tinga e Praça Mário Alban, além de uma solicitação posterior relacionada à região do Uruguai.

Segundo o comandante, todas as informações recebidas foram encaminhadas às unidades policiais responsáveis pelas respectivas regiões. Ele ressaltou, no entanto, que o homicídio de José Alexandre aconteceu na Avenida 29 de Março.

“É preciso contextualizar bem esse quesito aí, para que não fiquem palavras soltas. Toda essa documentação que ele nos enviou chegou até os responsáveis pelas unidades de área dos bairros que eu citei aqui. O homicídio ocorreu na 29 de Março”, afirmou.

Farias afirmou que, próximo ao horário do clássico, a Polícia Militar percebeu uma “pulverização” de grupos ligados à TUI em diferentes pontos de Salvador. Segundo ele, foram identificadas ocorrências envolvendo violência e depredação de patrimônios públicos e particulares.

“A torcida sua, Os Imbatíveis, pulverizou em grupos. Muitas vezes grupos de 20, de 30, na cidade toda, fazendo algazarra, baderna”, declarou.

O comandante ponderou que nem todas as pessoas vestindo a camisa da organizada seriam integrantes oficialmente ligados à TUI. Segundo ele, a polícia identificou entre esses indivíduos pessoas com histórico criminal e ligação com facções.

Diante disso, Farias questionou o controle exercido pela própria torcida sobre o uso de seus uniformes. “Cadê o controle? Cadê o controle por parte da diretoria para cobrar desses elementos que estão usando a camisa? Porque quando um policial militar está fardado, os comandantes têm que ter atenção por ele, são responsáveis pelas atitudes dele, a sociedade cobra. Por que não cobra desses diretores? Tem que ser cobrado também”, disse.

Comandante cobra presidente da TUI

Ao direcionar a fala diretamente a Gabriel, Flávio Farias pediu que o presidente da organizada seja transparente ao tratar dos acontecimentos. “Gabriel, você, quando fizer sua nota, você deveria ser firme nas suas palavras e manter a transparência de como ocorreu”, disparou.

Na sequência, o comandante elevou o tom e questionou diretamente a responsabilidade do dirigente sobre a atuação dos integrantes da torcida.

“Você, como presidente, tem que ser responsabilizado por isso. Você tem que ser responsabilizado por isso. Ou você não é o presidente? Tem mais gente mandando aí?”, questionou.

Farias também rebateu críticas à atuação da Polícia Militar e afirmou que a corporação atendeu às solicitações feitas pelas torcidas organizadas antes do clássico. Segundo ele, apesar da presença de equipes em diferentes regiões, não existe estrutura para manter policiais em todos os pontos da cidade simultaneamente. “Eu não posso ter uma viatura em cada esquina. Não existe nenhuma logística para ter isso”, afirmou.

O comandante revelou ainda que participou de reuniões com autoridades nesta segunda-feira para discutir os acontecimentos registrados antes do Ba-Vi. Sem antecipar quais medidas estão em análise, afirmou que providências serão adotadas e divulgadas posteriormente. “Precisou ocorrer essa tragédia, vamos começar a abrir os olhos”, concluiu.

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