☰
✕

Polícia

Operação Iceberg: Delegados revelam como funcionava rede de drogas que vendia entorpecentes de até R$ 77 mil na Bahia

Investigado na Operação Iceberg, grupo vendia drogas de alto valor para médicos, advogados e empresários e usava método discreto de entrega em apartamentos de luxo  |  Bnews TV

Publicado em 24/09/2026, às 15h06 - Atualizado às 15h07   Bnews TV   Antonio Dilson Neto e Rafaela Kalil

A Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24) pela Polícia Civil da Bahia, pode ser apenas o início de uma investigação mais ampla sobre uma rede especializada na venda de drogas de alto valor para consumidores de maior poder aquisitivo.

Segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Marcelo Calmon, o material apreendido durante a operação ainda será analisado e pode revelar novos integrantes e ramificações do grupo.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

📲 Mantenha-se informado! Siga o CANAL DO BNEWS NO WHATSAPP e receba as principais notícias diretamente no seu dispositivo. Clique e não perca nada!

É uma ponta do iceberg de um grupo que ainda vai ser aprofundado com os materiais apreendidos na Operação de hoje”, afirmou Calmon durante entrevista sobre a ação.

A operação teve origem em uma investigação do DHPP sobre tráfico de drogas e narcocídios no bairro de Águas Claras, em Salvador. A partir da apuração, os investigadores identificaram um grupo que fornecia entorpecentes de alto padrão e decidiram separar a nova frente de investigação, que recebeu o nome de Iceberg.

De acordo com o delegado, o principal alvo preso nesta quinta-feira era fornecedor de drogas para integrantes de uma organização criminosa que atuava em Águas Claras. A investigação avançou até identificar uma estrutura própria de distribuição voltada para um público de maior poder aquisitivo.

Drogas de até R$ 77 mil o quilo

Segundo Calmon, os entorpecentes comercializados pelo grupo tinham alto valor agregado. No atacado, o quilo de algumas das drogas chegava a R$ 77 mil. No varejo, a mesma quantidade poderia gerar até R$ 300 mil.

São drogas que a gramatura é alta, muito cara, há um valor agregado muito alto nessas drogas. No varejo, é possível conseguir  até R$ 300 mil nesse mesmo quilo de droga”, explicou.

O grupo comercializava produtos identificados pelos nomes de Wolf, Dry e Flor 24, entre outras drogas citadas pelo delegado. Entre os consumidores, segundo a investigação, estavam médicos, advogados, empresários e outras pessoas de alto poder aquisitivo.

O diretor adjunto do Departamento de Repressão e Entorpecentes (DENARC), delegado Adriano Oliveira, explicou que a estrutura chamou atenção justamente pelo modo como o tráfico era organizado. Segundo Oliveira, o modelo de comercialização era diferente daquele normalmente encontrado em áreas dominadas pelo tráfico.

Era um tráfico de droga aonde a negociação era toda feita por meio de redes sociais, e a droga ela era entregue por sistema delivery”, disse.

Entrega em vasos de planta

Um dos métodos utilizados pelo grupo para reduzir o contato entre vendedores e compradores também foi detalhado por Calmon. Segundo o delegado, em alguns edifícios de alto padrão, as drogas eram deixadas em vasos de plantas localizados do lado de fora dos apartamentos.

O comprador era anunciado pelo porteiro, subia até o andar e retirava o material sem precisar encontrar pessoalmente o vendedor.

Eles colocavam as drogas nos potes de planta do lado de fora dos apartamentos que era geralmente um por andar. Esses indivíduos eram anunciados pelo porteiro, subiam, pegavam a droga ali e retornavam sem sequer ter contato visual com o revendedor”, relatou.

Calmon afirmou ainda que parte das entregas e negociações era feita por meio de redes sociais e grupos de amigos, o que facilitava o acesso do grupo a consumidores de maior poder aquisitivo.

Potes de creme

A investigação também identificou uma estratégia utilizada para transportar os entorpecentes entre diferentes cidades.

Segundo Calmon, as drogas eram trazidas do Paraguai e de São Paulo e distribuídas para grupos que atuavam na Bahia. Em alguns casos, os entorpecentes eram escondidos em potes de creme.

O delegado explicou que os criminosos colocavam a droga dentro das embalagens e mantinham as notas fiscais dos produtos. A documentação poderia ser apresentada caso o transporte fosse abordado.

Eles forjavam, colocavam as drogas ali, colocavam as notas fiscais desses potes caso fossem abordados, apresentavam a nota fiscal e teriam essa listagem”, afirmou.

Parte desse material era transportada até cidades do interior, como Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus, onde outros integrantes faziam a revenda.

Classificação Indicativa: Livre


TagsBahiaDHPPDryMarcelo CalmonOperação icebergPolícia CivilSalvadorwolf

Leia também


Instagram, carros de luxo e R$ 9,6 milhões: Veja quem são os presos de rede de drogas que atendia 'clientes ricos' na Bahia


Operação mira tráfico de drogas de luxo que movimentou R$ 9,6 milhões e atendia médicos, empresários e advogados na Bahia