Polícia
Onze pessoas foram presas nesta quinta-feira (24) durante a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia contra uma rede investigada por distribuir drogas para consumidores de alto poder aquisitivo. Entre os alvos estão apontados líderes, distribuidores regionais, suspeitos de atuar na logística, movimentação financeira e armazenamento dos entorpecentes.
As prisões ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, além do cumprimento de um mandado contra um alvo que já estava preso no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe.
A operação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e registrou duas prisões em flagrante. Segundo a investigação, o grupo utilizava redes sociais para negociar drogas, recebia pagamentos principalmente via PIX e fazia entregas discretas. Entre os consumidores identificados estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo.
Instagram, carros de luxo e R$ 9,6 milhões: veja quem são os presos de rede de drogas que atendia 'clientes ricos' na Bahiahttps://t.co/gs92bPVT89 pic.twitter.com/S3iQppmbTG
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Erik Castro Gusmão Seixas é apontado como principal alvo da operação. Segundo a investigação, comercializava diferentes variedades de maconha de forma profissionalizada pelo Instagram. Para ocultar valores, utilizava uma empresa individual de fachada, contas de terceiros e o nome da avó para registrar veículos de alto padrão. Também teria negociado arma de fogo. Erik foi alvo de prisão preventiva e prisão em flagrante com drogas.
Luan Costa da Silva é apontado como distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia, com atuação em Santo Antônio de Jesus. A investigação aponta que negociou a venda de uma pistola Glock com Erik e administrava a logística de remessas de grandes quantidades de drogas, usando contas e linhas telefônicas de terceiros.
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Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes é apontado como distribuidor regional em Vitória da Conquista e cidades vizinhas. Segundo a investigação, fornecia orientações técnicas a Erik para esconder cargas, incluindo o acondicionamento de drogas a vácuo dentro de potes de creme para dificultar a identificação do odor durante o transporte.
Laisa Franca Lacerda é investigada por disponibilizar a própria residência para armazenamento e retirada de drogas por compradores. Também teria atuado na pulverização financeira do grupo, movimentando mais de R$ 180 mil por meio de contas pessoais e de uma empresa de fachada.
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Matheus Ribeiro Mello do Nascimento é apontado como alguém que passou de comprador a revendedor. Segundo a investigação, intermediava compras para terceiros e procurava fontes de abastecimento no Paraguai. O tráfico ocorreria na própria residência, com utilização do veículo do pai e de contas de terceiros para dissimular pagamentos.
Marcelo Botelho Reis foi preso em flagrante com arma de fogo. A investigação aponta indícios de aquisição de drogas para revenda. Marcelo teria movimentado mais de R$ 46 mil com Erik e possui histórico criminal, incluindo prisões anteriores por tentativa de aquisição de “heroína caipira”.
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Tyago de Assis Conceição foi preso no sistema prisional de Sergipe. É apontado como fornecedor de drogas. Segundo a investigação financeira, apresentava um padrão considerado invertido nas transações, recebendo de Erik valores superiores aos que pagava. O CPF de Tyago está vinculado à empresa Xalove Mouse, inapta desde 2022. O investigado também é alvo de outra investigação de combate ao tráfico, a Operação ZIMMER.
Guilherme Rodrigues de Oliveira é sócio único da empresa Metalnor, também identificada como “Gold Auto Peças”. Segundo a investigação, apresentou o maior volume individual de movimentação financeira, de R$ 281.715,40. Diligências apontaram que a empresa seria de fachada e não manteria atividade real desde 2023, sendo utilizada para integração e dispersão de recursos investigados como ilícitos. Até o momento, não foi identificado vínculo direto com a comercialização de entorpecentes.
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Camila Ingrid Dourado Bezerra é apontada como namorada do alvo Luccius. Foi presa em flagrante depois que uma grande quantidade de drogas foi encontrada em sua residência.
Robson Siqueira Reis teve um mandado de prisão cumprido. O material fornecido pela investigação não apresenta, até o momento, detalhes sobre a função atribuída a Robson dentro do grupo.
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Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o principal alvo da operação foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. A investigação aponta que ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.
A apuração financeira identificou movimentações superiores a R$ 9,6 milhões em cinco anos, distribuídas em mais de 16,6 mil transações bancárias. Empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar os valores.
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.
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Em Vitória da Conquista, um dos suspeitos apontados como liderança regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição no município e em cidades próximas.
De acordo com a investigação, parte dos entorpecentes era colocada dentro de potes de cremes estéticos e enviada em ônibus comerciais, camuflada como cosméticos.
Entre as drogas distribuídas estava a modalidade conhecida como ICE, recebida em Salvador e redistribuída pelo sudoeste baiano.
Em Santo Antônio de Jesus, outro investigado, já conhecido por envolvimento com o comércio de drogas na região, buscava os entorpecentes na capital e abastecia o município e cidades vizinhas.
A investigação identificou que o grupo utilizava redes sociais para negociar os entorpecentes. Os pagamentos eram feitos principalmente via PIX, com entregas discretas.
As drogas eram divulgadas com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.
Os suspeitos mantinham padrão de vida elevado, segundo a apuração, com imóveis de alto padrão e veículos de luxo. A investigação também apontou o uso de empresas e contas de familiares ou terceiros para ocultar recursos.
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Durante a operação, foram apreendidas porções de entorpecentes de alto valor comercial, celulares e documentos. O material será analisado para identificar novos envolvidos, fornecedores e detalhes da movimentação financeira.
Uma pistola foi encontrada com um médico investigado, preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele integra o grupo de duas pessoas presas em flagrante durante a ação.
As medidas patrimoniais alcançaram oito veículos e uma motocicleta, incluindo Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass, Chevrolet Tracker e Honda NXR 160 Bros. Segundo a tabela FIPE, o conjunto está avaliado em mais de R$ 1,1 milhão.
A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo DHPP. A análise de um perfil em rede social revelou indícios de comercialização de drogas e levou à identificação da estrutura de fornecedores, distribuidores e responsáveis pela movimentação financeira.
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A ação é coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), Departamento de Repressão e Entorpecentes (DENARC), Departamento de Polícia do Interior (DEPIN), Coordenação de Operações e Recursos Especiais (CORE) e Departamento de Polícia Técnica (DPT).
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