Polícia
Publicado em 07/06/2026, às 18h03 Reprodução/ TV Globo Bernardo Rego
A jornalista e empresária Caroline Galhardo, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio ocorrida dentro de sua casa em abril de 2024, disse que fingiu estar morta para escapar e agora luta para reverter decisão que reduziu a pena do acusado de 17 para 12 anos de reclusão.
“É um absurdo. Venho lutando por justiça, expondo o caso, tentando fazer com que isso chegue cada vez em mais pessoas, para que a justiça aconteça e para que outras mulheres não passem por essa situação que passei", disse a empresária em entrevista ao portal Metrópoles.
No dia do crime, quando recebeu 20 facadas, a empresária disse que havia terminado o relacionamento de forma definitiva e estava convicta de que o então namorado iria aceitar a decisão porque já estava em outro relacionamento.
"Naquele dia eu respondi para ele que não queria mais, para ele me deixar em paz, e ele insistiu em me encontrar. Aí falei, tudo bem. Vamos em um restaurante, em um bar, perto da minha casa e, lá, você fala o que tem que falar, para a gente encerrar [o assunto]”.
“Ele saiu do restaurante, pegou no meu braço e começou a gritar comigo. Dizendo que eu ia ver do que ele era capaz. Que não ia ficar assim. Que eu não podia fazer isso com ele", acrescentou Carol.
Um casal testemunhou a agressão e acompanhou a empresária até em casa com o intuito de garantir a sua integridade.
Ao chegar em casa a empresária recebeu o interfone de uma vizinha que ficou preocupada com a situação, mas no momento que ela disse 'sim', o ex-namorado deu o primeiro golpe de faca.
“Virei de costas para ele e quando falei oi [vizinha] tudo bem? Quando eu disse, ‘sim o Alef está’, ele me deu as duas primeiras facadas pelas costas [atingindo o pescoço da vítima]. As duas primeiras foram no pescoço, a terceira no meu tórax, perfurou meu pulmão esquerdo. Fui me fechando cada vez mais, indo para o canto do sofá, e ele me esfaqueando falando ‘você vai morrer, acabou, hoje eu decidi, eu vou matar você", contou a jornalista durante a entrevista.
Em um dado momento ela decidiu prender a respiração para se fingir de morta e ele poder parar com as agressões.
“Fingi que estava morta, para ele parar de me esfaquear. Aí ele veio, pôs o dedo [sob as narinas dela] para ver se eu estava respirando e desferiu mais dois golpes, um perto do meu olho [esquerdo] e do meu queixo dizendo que ia me desfigurar para ninguém me reconhecer no caixão", desabafou.
A Polícia Militar foi acionada e localizou o criminoso dentro do banheiro do apartamento quando ele foi preso em flagrante. Uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local e prestou os atendimentos.
Caroline ficou 21 dias internada, dos quais 17 na UTI e os demais entubada. As cirurgias às quais foi submetida reconstruíram parte da garganta. Ela também perdeu 40% da capacidade pulmonar esquerda.
Alef de Souza Braga foi condenado pelo Tribunal do Júri a 17 anos de prisão, em regime fechado. Ele recorreu da decisão e teve a pena reduzida em cinco anos, mas a defesa de Caroline já recorreu a instâncias superiores.
A defesa de Alef também tentou reduzir a pena usando o argumento de que ele teria feito um curso à distância, mas o recurso foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O relator do caso foi o desembargador Pedro Ferronato.
"Para fins de remição de pena, a instituição educadora responsável pela oferta de cursos deve ser integrada ao projeto político-pedagógico da unidade ou do sistema prisional local, assim como devidamente autorizada ou conveniada com o Poder Público. Diante disso, dá-se provimento ao recurso, para os fins de cassar a r. decisão proferida, no que tange à remição de 121 dias concedida pelo período de estudo, determinando-se a elaboração de novo cálculo de penas", disse o desembargador em seu voto que foi acompanhado pelos seus pares em decisão unânime.
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