Polícia

Escândalo sexual: Pastores são acusados de estuprar meninas e chamar crime de “missão divina”

As investigações começaram após denúncia de uma adolescente, revelando um esquema de coerção e chantagem para silenciar as vítimas.  |  Divulgação/Arquivo pessoal

Publicado em 16/07/2026, às 07h43 - Atualizado às 11h01   Divulgação/Arquivo pessoal   Camila Sales

Nesta quarta-feira (15), a Polícia Civil indiciou o casal de pastores Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, pela suspeita de estuprar ao menos seis meninas em Boa Vista, cidade de Roraima. As investigações começaram em abril, após a denúncia de uma adolescente de 14 anos, seguida pelo relato de outras cinco vítimas. 

De acordo com as autoridades, os suspeitos se valiam da fé e de suas posições de liderança religiosa para manipular jovens de 12 a 17 anos.

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Segundo a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a pastora realizava a aproximação inicial com as vítimas, enquanto o marido utilizava o cargo religioso e interpretações distorcidas da Bíblia para convencê-las de que os atos sexuais tinham finalidade espiritual. 

Para assegurar o silêncio das adolescentes, eram oferecidos dinheiro e benefícios, como jantares.

"As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados, em razão do temor reverencial", detalhou a polícia.

O casal também proibia a realização de denúncias ao fazer com que os fiéis tivessem medo de punições por rebeldia. Esse medo era sustentado pelas normas da igreja, que estabeleciam o desligamento de membros que questionassem a autoridade pastoral. 

A delegada Kamilla Basto apontou que o caso se mostrou desafiador:

"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento", disse.

Procurada, a defesa dos pastores não emitiu pronunciamento até a publicação da reportagem.

A apuração policial revelou ainda que o pastor tentou destruir provas contidas em um telefone celular, ordenando que uma jovem de 20 anos sumisse com o aparelho com a ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas. 

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Para encobrir o ato, Wenderson orientou uma delas a registrar uma falsa comunicação de perda do dispositivo. Com isso, a jovem de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores. 

O pastor Wenderson foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica, enquanto a pastora Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

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