Polícia

Herdeira entrega R$ 37 milhões a criminosos após cair em golpe de falso investimento no Brasil

Idosa de 70 anos teve patrimônio levado após ser convencida a transferir investimentos para uma plataforma fraudulenta; polícia identificou 140 possíveis vítimas  |  Divulgação / Polícia Civil

Publicado em 14/08/2026, às 09h37 - Atualizado às 09h40   Divulgação / Polícia Civil   Redação Bnews

Uma idosa, de 70 anos, perdeu R$ 37 milhões em um golpe de falsos investimentos após ser convencida, durante seis meses, a transferir todo o patrimônio de uma corretora regular para uma plataforma fraudulenta em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Parte do dinheiro vinha de uma herança. Mesmo após receber alertas do corretor oficial sobre os riscos, a vítima fez os aportes e acabou transferindo o capital para os criminosos. A informação é do G1.

O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). Nesta quinta-feira (13), a Polícia Civil deflagrou a Operação Criptoabate, contra suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada por estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

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Corretor tentou alertar a vítima

Segundo o chefe do Departamento de Crimes Cibernéticos, delegado Eibert Moreira, a vítima já tinha histórico de investimentos e um perfil considerado agressivo, com preferência por ativos de maior rentabilidade.

De acordo com o delegado, além da herança, ela também perdeu parte da rentabilidade que havia acumulado em investimentos anteriores feitos por meio de uma corretora que atuava regularmente no mercado financeiro.

“O corretor sempre desaconselhava para que ela não fizesse esses aportes tão altos em investimentos tão arriscados, só que aí ela acabou retirando o montante que ela tinha com essa corretora, migrando então os valores para essa plataforma falsa”, afirmou o delegado.

Polícia identifica 140 possíveis vítimas

A investigação identificou 140 possíveis vítimas espalhadas pelo Brasil. Ao todo, foram cumpridas 90 ordens judiciais em três estados.

Entre os presos, segundo a Polícia Civil, estão três donos de instituições financeiras que atuam na conversão de criptomoedas. Dois estrangeiros também foram presos. Um deles, conforme a investigação, é dono de uma das instituições financeiras investigadas.

Uma gerente de uma instituição financeira tradicional, com grande credibilidade nacional e internacional, também foi presa. Segundo a apuração, ela facilitava a abertura de contas utilizadas pelo grupo criminoso para pulverizar, em uma primeira camada, os valores transferidos pela vítima. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

Investigação aponta movimentações bilionárias

Segundo o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, uma das instituições financeiras investigadas movimentou R$ 295 milhões em apenas um dia.

A polícia também identificou uma empresa em São Paulo com movimentação considerada atípica de R$ 500 milhões durante o período investigado. Ao todo, as transações suspeitas atribuídas aos investigados somam R$ 30 bilhões, segundo a polícia.

Como funcionava o golpe

A fraude é conhecida internacionalmente como “pig butchering”, ou “golpe do abate de porcos”. Segundo a Polícia Civil, a prática surgiu no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar.

De acordo com a investigação, os suspeitos se apresentavam como funcionários de uma empresa identificada como TDASX, que encerrou as atividades após o início das investigações.

A reportagem informou que tenta contato com os responsáveis pela TDASX, mas eles não haviam sido localizados até a última atualização da publicação.

A orientação da polícia é desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, plataformas sem credenciais verificáveis e pedidos de novos depósitos para liberar valores que já teriam sido investidos.

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