Polícia
Publicado em 01/07/2026, às 06h00 Reprodução | Redes Sociais Alex Torres
No dia 23 de dezembro de 2020, um apartamento localizado na Avenida Magalhães Neto, no bairro da Pituba, em Salvador, se tornou cena de um crime brutal. O coreógrafo e bailarino Ajax Gonçalves Vianna, de 60 anos, foi encontrado morto com sinais de lesões causadas por espancamento.
De acordo a Polícia Civil, o então suspeito havia sido identificado como Gefferson do Nascimento Oliveira, de 27 anos, que seria companheiro da vítima há cerca de quatro anos. Na ocasião, ele confessou o crime e foi conduzido pelos agentes para o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).
Cerca de 10 meses depois do crime, mais precisamente no dia 16 de setembro de 2021, Gefferson foi solto e passou a responder o julgamento em liberdade, após decisão do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA). A situação gerou enorme revolta por parte de familiares e amigos de Ajax Vianna.
"Para nós é surpresa enorme. Ele foi preso em flagrante, é réu confesso. Hoje faz 10 meses que ele matou meu pai e não tem justiça nenhuma? Dia 4 de outubro é a primeira audiência e ele foi liberado antes dela", afirmou na ocasião a filha do bailarino, Maria Gabriela.
Como a gente pode esperar justiça nesse país, se um assassino preso em flagrante, que confessou, tendo provas suficientes de que ele cometeu esse crime vai solto assim? A impunidade vai imperar sempre", completou
Julgamento
Durante a análise do caso, a Justiça acatou todas as teses do Ministério Público da Bahia (MP-BA), apresentadas pela promotora Isabel Adelaide Moura. O crime contra Ajax Vianna foi qualificado por motivo torpe e emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Foi agravado também pelo fato de a vítima ter mais de 60 anos na época do crime.
Todo ser humano precisa e deve ser aceito integralmente como ele é, para não aceitar migalhas em nenhum tipo de relacionamento. Entender esse contexto foi fundamental para que os jurados compreendessem a realidade na qual o crime foi praticado”, salientou a promotora ao destacar o papel do testemunho da família durante o juri.
Em abril de 2024, após quase 15 horas de julgamento, Gefferson Nascimento Oliveira foi condenado a 14 anos e o mandado de prisão foi expedido. No entanto, o acusado não foi localizado e ficou como foragido. Ele foi preso no dia 8 de janeiro de 2025, no bairro de Porto Seco Pirajá, em Salvador.
Em nota enviada pela Polícia Civil, no momento da prisão, a corporação informou que Gefferson passou por exame de corpo delito e foi encaminhado ao complexo penitenciário para início do cumprimento da pena.
Quem era Ajax Vianna?
Ajax Vianna nasceu em Salvador e começou seus estudos de dança na segunda metade dos anos 1970, na Escola de Ballet Ebateca. Passou ainda pela Escola de Dança Cultura Física e pelo Ballet Bahiano de Tênis, além de ter feito parte do grupo de dança Frutos Tropicais.
Com longa trajetória na dança, o artista fazia parte do balé do Teatro Castro Alves (TCA) há quase quatro décadas. A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) informou que, entre os anos de 1970 e 1980, Ajax ganhou 18 concursos de 'dança discoteca' e ficou conhecido como "John Travolta da Bahia".
Gefferson e Ajax estavam juntos há cerca de quatro anos. Um ponto de destaque é que o companheiro do dançarino já havia sido julgado pela Justiça por suspeita de estupro de um vulnerável em 2017, mas a abolvição ocorreu em 2021.