Polícia

Médium é acusada por famílias espiritas de usar informações da internet para forjar cartas psicografadas

A médium é coordenadora da Casa da Caridade Inácio Daniel e reconhecida na comunidade espírita  |  Sete lideranças espíritas chegaram a assinar um manifesto contra Máira por estelionato e charlatanismo - Redes Sociais

Publicado em 07/09/2026, às 12h28   Sete lideranças espíritas chegaram a assinar um manifesto contra Máira por estelionato e charlatanismo - Redes Sociais   Elisa Martins

Máira Rocha, advogada e médium de grande repercussão nacional, foi acusada por diversas famílias de usar dados das redes sociais para fraudar cartas psicografadas durante atendimentos espirituais. Denúncias contra ela estão espalhadas em pelo menos cinco estados por estelionato, calúnia, difamação e ameaça

O esquema começou a repercutir após relatos detalhados das vítimas que pensavam estar recebendo cartas atribuídas a parentes mortos. O que os ajudou a perceber foi a comparação do que havia disponível na internet e o conteúdo das cartas. A investigação aponta que havia uma apuração prévia da médium em relação aos perfis públicos para ter acesso a detalhes intimistas e nomes específicos. 

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Acusações de apropriação indébita, desvio de recursos e rede de influência com servidores públicos também passam por análise do Ministério Público

A médium é coordenadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, centro espírita que atende aproximadamente 5 mil pessoas mensalmente. Entre as principais atividades estão sessões de psicografia, quando as chamadas cartas consoladoras são feitas. O centro também recebe doações e promove leilões de roupas e objetos usados pela médium e que supostamente teriam a sua energia.

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Casos

De acordo com reportagem do Fantástico, uma das vítimas, Marcela Magalhães, recebeu palavras de afeto do filho Henrique, morto aos 18 anos em um acidente. Contudo, a carta apresentava o jovem como jogador de futebol, sendo que ele nunca foi atleta profissional. Coincidentemente, uma reportagem publicada logo depois da morte continha o mesmo equívoco.

Uma outra mulher, chamada Marina Escames, começou a desconfiar que havia algo estranho após receber uma carta atribuída ao marido. A carta falava sobre uma tatuagem de âncora, chá de camomila e continha a frase "te amo pra cacete". Logo depois, a família percebeu que os elementos estavam expostos no perfil dele ainda ativo nas redes sociais.

"Tinha o vídeo da camomila. Tinha minha tatuagem e o 'te amo pra cacete' no final. E ali eu vi que realmente estava tudo na internet", afirmou na reportagem.

O que fez Marina acreditar por mais tempo no trabalho da médium foi a situação em que um episódio de bullying sofrido pelo filho mais novo foi mencionada na sessão, mas não era uma informação que estava nas redes sociais. No entanto, o menino contou à mãe logo depois que teria falado diretamente a Máira. Nas palavras da mulher, a descoberta foi como um "segundo luto" para a família.

Outros participantes relataram que antes das sessões eram pedidas informações pessoais, como nome completo e CPF. Em algumas situações, também eram solicitados comprovantes de passagem aérea ou hospedagem.  

Comunidade do Espiritismo

A polêmica mexeu com o meio religioso e levantou pautas acerca da responsabilidade no acolhimento de pessoas que estão passando por luto, destacando a importância da ética em reuniões públicas. 

Sete lideranças espíritas chegaram a assinar um manifesto contra Máira por estelionato, charlatanismo e por submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento. No caso da Federação Espírita Brasileira, houve críticas sobre a realização dos leilões feitos.

 "A doutrina não nos autoriza, não nos ensina a realizar leilões, esse tipo de prática. Ela nos ensina a servir. E servir de forma desinteressada", declarou o presidente da entidade, Jorge Godinho.

Em resposta, a médium publicou vídeos nas redes sociais expondo um jornalista da TV Globo e um homem que considera “perseguidor”, relacionando as denúncias a um suposto desafeto. 

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