Polícia

Professora agredida brutalmente por aluno em escola do estado critica indenização recebida: “Não é justo”

A professora ficou quase oito meses afastada depois de ter sido agredida por um aluno adolescente, enquanto ensinava dentro da sala de aula  |  Arquivo pessoal

Publicado em 12/09/2026, às 11h15   Arquivo pessoal   Gabriel Santana

Uma professora de 64 anos, identificada como Edna Maria Ribeiro, foi brutalmente agredida por um aluno de escola pública depois de retirá-lo da sala por mau-comportamento e reclamou da indenização recebida.

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Edna, com então 62 anos, foi agredida por um aluno enquanto ensinava na Escola Estadual Deputado Waldomiro Mariani, em Cubatão, na Baixada Santista, no litoral de São Paulo (SP), em 2024. De acordo com o g1, ela retirou o adolescente de 15 anos, pois ele estava conversando durante uma prova.

Após a ordem da professora, o aluno empurrou Edna, que caiu sobre uma lixeira metálica e sofreu hematomas no rosto e tronco, além de ter ficado com a região dos olhos com hematomas depois de ter virado para não bater o nariz. A professora relatou que o aluno já tinha histórico de comportamento agressivo antes da violência sofrida.

O valor da indenização de R$ 5 mil por danos morais, fixada no último abril pela Justiça contra o Governo do Estado de São Paulo, foi classificada pela profissional de educação como “irrisória”. Ela aponta que o valor não corresponde aos impactos físicos, psicológicos e financeiros causados pela agressão sofrida.

Pós agressão

Edna relata que as lesões fizeram com que ela ficasse afastada do trabalho por quase oito meses, período em que ela recebeu o Auxílio por Incapacidade Temporária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A professora alega que o benefício tinha valor inferior ao seu salário e que, durante o tempo, acumulou dívidas com aluguel e contas básicas, que foram pagas com juros posteriores.

Mesmo depois de retornar às salas de aula, em agosto de 2025, ela contou que ainda enfrenta impactos financeiros e psicológicos causados pela violência. Edna diz que passou a sentir mais ansiedade dentro da sala de aula depois do episódio sofrido. A professora aponta que nem os quase R$ 56 mil pedidos, de forma inicial no processo, seriam suficientes para reparar os danos.

“Não é justo o professor estar em sala de aula, para ensinar várias coisas que são importantes até para a própria vida do aluno, e ele ainda ser agredido tanto verbalmente quanto fisicamente”.

Mesmo insatisfeita com a indenização, Edna conta que o valor ainda pode ser elevado pela Justiça, pois revelou que os seus advogados vão apresentar o pedido no processo.

Escola condecorada

Em 2025, a unidade recebeu o prêmio internacional World's Best School (Melhor Escola do Mundo), entregue pela T4 Education, na categoria "Superando a Adversidade", e passou a ser conhecida como "Parque dos Sonhos". Antigamente, a escola chegou a ser chamada de "Parque dos Pesadelos".

Condenação

Depois de ter acionado a Justiça e pedido pelas indenizações, Edna afirmou que o Estado teve omissão na garantia da segurança no ambiente escolar. O Governo do Estado de São Paulo recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e alegou que a violência sofrida aconteceu, exclusivamente, por conta do comportamento do aluno.

A procuradoria relatou que a ação do adolescente não poderia ter sido prevista pela direção da escola e que ela “extrapola o poder de vigilância dos funcionários do estabelecimento de ensino” e afirmou que não tinha relação entre a suposta omissão do estado e o dano moral sofrido por Edna. Mas a 2ª Turma Recursal da Fazenda Pública do TJ-SP manteve a decisão.

A juíza e relatora do caso, Lúcia Caninéo Campanhã, afirmou que o Estado tinha a obrigação de zelar pelo bem-estar dos funcionários durante o tempo de trabalho e que, devido ao histórico do aluno, o episódio não poderia ser considerado totalmente inesperado.

Os juízes acompanharam a relatora e determinou que o Estado arque com os honorários advocatícios, fixados em 15% sobre o valor da condenação.

Classificação Indicativa: Livre


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