Política

Preso mais antigo da Lava Jato, Renato Duque recebe habeas corpus do TRF-4

Ex-diretor da Petrobras está preso desde 2015, mas condenações ainda estão sob recurso   |  Marcelo Camargo / Agência Brasil

Publicado em 11/03/2020, às 20h15   Marcelo Camargo / Agência Brasil   Folhapress

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) concedeu nesta quarta-feira (11) liberdade ao ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque.

Duque está preso desde março de 2015, condenado na Operação Lava Jato.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Atualmente, está detido no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A expectativa é que a decisão seja cumprida nesta quinta-feira (12).

O relator do caso, desembargador João Pedro Gebran Neto, foi voto vencido na sessão da 8ª Turma da Corte, que apreciou o habeas corpus da defesa de Duque.
O voto contrário, pela soltura do ex-diretor, partiu do desembargador Leandro Paulsen e foi seguido pelo desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores.

O habeas corpus discutia a permanência de três prisões preventivas em diferentes ações da Lava Jato, em vigor há cinco anos. Com a decisão do TRF-4, as cautelares foram revogadas.

Duque já foi condenado em sete processos envolvendo o escândalo de corrupção na Petrobras, mas nenhuma sentença chegou ao trânsito em julgado (quando não cabem mais recursos).

Em novembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal decidiu mudar o entendimento que permitia o início de cumprimento da pena após condenação em segunda instância, o que atingiu réus da Lava Jato, incluindo Duque.

Para deixar a prisão, o ex-diretor deve atender a algumas determinações da Justiça, como confirmou a assessoria do Tribunal. Ele deverá entregar o passaporte, se submeter a monitoramento eletrônico, comparecer mensalmente à sede do Juízo, e não entrar em contato com os demais investigados e réus da operação.

Procurada, a defesa de Duque não quis se manifestar sobre a decisão. Ele já havia sido preso pela primeira vez em 2014, quando obteve soltura no Supremo depois de três semanas.

Em setembro do ano passado, o TRF-4 aumentou a pena de Duque de dez anos para 28 anos e cinco meses de prisão pelo crime de corrupção passiva em apenas uma das ações da Lava Jato, ligada a contratos firmados entre a Petrobras e a construtora Andrade Gutierrez.

Com esta, foram sete condenações confirmadas pela segunda instância no âmbito da operação, envolvendo crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Todas as penas somadas chegam, até então, a quase 124 anos de prisão.

Ao longo de sua prisão, o ex-diretor tentou firmar acordo de colaboração com os investigadores. Embora não tivesse acordo formalizado nem fosse réu, foi um dos principais acusadores do ex-presidente Lula no caso do tríplex de Guarujá (SP), cuja sentença provocou a prisão do petista por um ano e sete meses.

Duque também passou a colaborar com autoridades estrangeiras. Ele contribuiu para apurações de ao menos cinco paises: Itália, França, Noruega, Panamá e Singapura.

Classificação Indicativa: Livre


Tagshabeas corpuslava jatorenato duqueTRF-4preso mais antigo