Política
Publicado em 07/09/2024, às 05h30 Fabio Rodrigues - Pozzebom / Agência Brasil Yuri Pastori
O trecho inicial do Hino Nacional tão cantado pelos brasileiros "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante" faz alusão ao dia 7 de setembro de 1822. A data comemorativa representou o momento da história em que D. Pedro I bradou "Independência ou Morte".
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As margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, o primeiro imperador do Brasil declarou o país uma pátria livre de Portugal, embora as tropas portuguesas só terem sido expulsas definitivamente no dia 2 de julho do ano seguinte aqui na Bahia.
Mesmo historiadores divergindo se esse momento de D. Pedro I realmente aconteceu, o 7 de setembro é uma data que ainda reflete nos dias dos brasileiros. O processo histórico de luta pela independência e democracia se entrelaça e converge com a realidade do povo.
Ideais democráticos e republicanos
O principal elemento de democratização do Brasil no século XIX se deu em torno da luta política abolicionista. Segundo o cientista político , pesquisador e professor Cláudio André, a agenda política nesta época era voltada para o fim da escravidão e a defesa de ideais liberais democráticos.
" O processo do 7 de setembro construiu um acúmulo de forças sociais e políticas no Brasil oitocentista em torno da perspectiva de conseguir avançar em lutas populares pela independência e pelo processo do que a gente pode chamar de a revolução democrática no Brasil", ressalta.
No entanto, o analista político acredita que apenas no século XX, é que esses ideais democráticos e republicanos se consolidaram.
" É como se o Brasil tivesse perdido quase um século de atraso político em torno dessa luta, mas que, naquele momento, já se colocavam no cenário brasileiro através de uma série de revoltas populares e, sobretudo, diante de um processo de luta política que envolvia o fim da escravidão", analisa.
Independência e os dias atuais
A data comemorativa ainda chama a atenção dos brasileiros nos dias atuais e é sempre uma reflexão sobre a soberania e autonomia do país. No entanto, promove uma mobilização de diferentes visões dos mais diversos setores da sociedade brasileira nos últimos dez anos.
"Ao mesmo tempo que a gente percebe que o campo da extrema-direita, da direita liberal, se mobiliza, nos últimos anos, por esse viés da independência de forma retórica em relação aos três poderes. Uma série de grupos, movimentos sociais, um conjunto da sociedade olha para a independência através da luta pela inclusão social, combate à pobreza, pela soberania nacional, por uma perspectiva mais republicana", reflete o cientista social.
"O campo bolsonarista foi se mobilizando em torno das cores nacionais. Essa ideia de uma defesa da pátria, de um nacionalismo exacerbado, que, na verdade, eu entendo, ganhou contornos retóricos", diz. " Nos últimos anos tivemos um 'sequestro' desse nacionalismo vinculado ao 7 de setembro, a partir desse elemento retórico para fins eleitorais", afirma.
Apesar disso, Cláudio André reforça que a sociedade brasileira tem entendido que o Brasil é uma nação independente e que as instituições demonstram resiliência às tentativas de se fragilizar a democracia. No entanto, os desafios para a nação brasileira ainda são enormes, o brado é cada vez mais retumbante pela redução das desigualdades sociais e da extrema pobreza que ainda corroe parte da população.
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