Política
Publicado em 24/10/2026, às 13h14 - Atualizado às 13h23 Dívulgação/Câmara Municipal de Salvador Redação Bnews
A aproximação entre o presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz (PSDB), e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), provocou uma crise interna no PSDB e levou vereadores da sigla a articularem um pedido ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) para substituir o comando da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).
A iniciativa conta com a participação de Alexandre Aleluia (Novo), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e principal nome cotado para assumir a presidência da Casa no biênio 2027-2028.
Aleluia afirmou que já confirmou a articulação com vereadores do PSDB e outros parlamentares envolvidos no processo de sucessão da Câmara. O objetivo é retirar do grupo político de Muniz a influência sobre a autarquia municipal, atualmente dirigida pelo advogado Diego Brito, indicado pelo presidente da Casa em março de 2025.
A insatisfação de integrantes do PSDB tem como pano de fundo a expectativa da legenda em relação aos espaços ocupados na administração de Bruno Reis. Segundo integrantes do partido, a sigla esperava assumir a Secretaria Municipal da Educação, mas acabou contemplada com a pasta da Saúde e a indicação para o comando da Transalvador.
O desconforto aumentou após Jerônimo Rodrigues confirmar que mantém conversas com Muniz sobre uma possível aproximação política. Em entrevista ao programa Band Eleições 2026, o governador destacou que o presidente da Câmara declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano.
As declarações provocaram reação entre integrantes do PSDB que defendem a permanência do partido no campo político liderado por Bruno Reis e pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Ao defender a substituição de Diego Brito, Aleluia afirmou que já conversou com vereadores do PSDB e outros parlamentares que participaram da articulação para a sucessão da presidência da Câmara.
“Já confirmei com os vereadores do PSDB e com outros que foram peças importantes na condução do processo, para pedir ao prefeito a substituição do comando da Transalvador”, disse Aleluia.
Na avaliação do vereador do Novo, Muniz mudou de posicionamento político em relação ao grupo que integra a base municipal. Por isso, ele questiona a permanência da influência do presidente da Câmara sobre um espaço da administração de Bruno Reis.
“Não faz sentido Muniz ter caminhado contra nosso projeto, ter feito campanha velada para o PT na Bahia no primeiro turno e principalmente caminhar contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato de Bruno Reis e ACM Neto nas eleições do segundo turno de domingo”, afirmou Aleluia.
A movimentação contra o presidente da Câmara também recebeu o apoio de Rodrigo Amaral (PSDB). O vereador criticou a atuação de Muniz durante o processo de sucessão da Casa e afirmou que o dirigente manteve conversas com integrantes do governo estadual.
“Todo mundo em Salvador sabe que Muniz esteve com a cúpula do governador do estado o tempo todo, tratando sobre a sucessão da Câmara, inclusive se assessorando com um advogado do PT, além de levar deputados eleitos pelo PDT para a base governista”, declarou.
Aleluia também rebateu a afirmação de Jerônimo Rodrigues sobre uma possível interferência de prefeitos ou empresários na sucessão da Câmara de Salvador. O vereador classificou a declaração do governador como deselegante e afirmou que ela desconsidera a independência dos parlamentares.
“Quando um governador vai falar sobre algo que desconhece termina nisso, em uma entrevista deselegante e que ofende a independência dos meus colegas e do próprio parlamento”, pontuou.
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