Política
Publicado em 28/08/2026, às 05h30 Divulgação Redação Bnews
A distribuição dos recursos do PL para as eleições de 2026 tem alimentado uma disputa nos bastidores do bolsonarismo baiano. A destinação de R$ 7,6 milhões para as campanhas de João Roma ao Senado e de Roberta Roma à Câmara dos Deputados — de um total projetado de cerca de R$ 21 milhões para o partido na Bahia — provocou incômodo entre integrantes do movimento ouvidos pelo BNews e ampliou discussões sobre o futuro da direita no estado.
João Roma, presidente estadual do PL, recebeu R$ 4,5 milhões, enquanto Roberta Roma foi contemplada com R$ 3,1 milhões. Nos bastidores, bolsonaristas críticos à condução partidária avaliam que a concentração dos recursos fortalece politicamente o casal, enquanto outras candidaturas da legenda enfrentam dificuldades para obter estrutura. A insatisfação também recupera declarações de Roma sobre a estratégia adotada pelo PL nas eleições municipais de 2024, quando afirmou que determinadas candidaturas foram “sacrificadas” em nome de objetivos mais amplos do partido.
O desconforto, porém, ultrapassa a discussão sobre a divisão do fundo partidário e eleitoral. Fontes ligadas ao bolsonarismo ouvidas pelo BNews demonstram preocupação com a capacidade do movimento de preservar sua autonomia política na Bahia. Para essa ala, o controle da estrutura partidária e dos recursos disponíveis pode ser determinante para definir quais lideranças conseguirão se consolidar dentro da direita baiana nos próximos anos.
A discussão também alcança a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia. Embora o ex-prefeito de Salvador tenha o apoio de João Roma, setores mais ideológicos do bolsonarismo demonstram resistência ao projeto do ex-prefeito. A avaliação desses grupos é que uma eventual vitória de Neto poderia atrair prefeitos, vereadores, parlamentares e outras lideranças atualmente identificadas com a direita para um campo mais moderado, reduzindo o espaço político ocupado pelos que ainda são fiéis ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse ambiente, críticos de ACM Neto dentro do movimento têm utilizado até mesmo a expressão “falsa direita” para se referir a grupos que disputam o eleitorado conservador sem manter alinhamento integral com o bolsonarismo. O receio manifestado nos bastidores é que o controle da máquina estadual por um grupo de centro-direita possa acelerar uma reorganização desse campo político e enfraquecer a identidade construída em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A preocupação chegou a produzir uma avaliação controversa entre alguns dos bolsonaristas ouvidos: do ponto de vista da preservação do movimento na Bahia, uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência combinada com a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) poderia ser considerada menos prejudicial do que a chegada de ACM Neto ao governo estadual. Não se trata, segundo essas fontes, de preferência ou apoio ao PT, mas da ideia de que a permanência de um adversário claramente identificado ajudaria a manter a militância mobilizada, enquanto uma gestão de Neto poderia disputar por dentro o mesmo espaço político ocupado atualmente pelo bolsonarismo.