Política

"Bruxa”: Deputado ataca Cármen Lúcia em pronunciamento na Assembleia Legislativa e ofende colegas; veja vídeo

Presidente da Assembleia, Alexandre Curi, interrompeu o deputado e defendeu a necessidade de respeito nas discussões políticas  |  Reprodução

Publicado em 18/09/2025, às 09h10 - Atualizado às 09h14   Reprodução   Lucas Pacheco

O deputado estadual bolsonarista, Ricardo Arruda (PL), chamou a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “bruxa” e ofendeu deputadas durante uma sessão da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na última aterça-feira (16). 

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Antes do início das votações do dia, o deputado usou seu tempo na tribuna para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros condenados pelo STF por participação nos atos golpistas de 08 de janeiro de 2023. Ao elogiar o voto do ministro Luiz Fux, Arruda atacou Carmen Lúcia.

“Desmascarou o Alexandre de Moraes, desmascarou a bruxa da Carmen Lúcia”, disse.

Após a fala, diversas deputadas se manifestaram e criticaram o político. A deputada de direita, Cristina Silvestri (PP), destacou que o comportamento de Ricardo Arruda é reincidente. 

“Quero lhe dizer que mais uma vez o senhor desrespeitou as mulheres chamando uma ministra do Supremo de bruxa. Eu gostaria que a presidente retirasse das notas taquigráficas esse termo. É muito pesado para nos mulheres ouvirmos isso”, apontou. 

Mesmo com a reação contrária de aliados, o deputado voltou a ofender a ministra do Supremo ao reagir à fala de Cristina Silvestri. 

“Respeito a sua opinião e quero que a senhora respeite a minha opinião", disse ele para Cristina Silvestri. "Eu acho ela (Carmen Lúcia) uma bruxa, e acho ela outras coisas também, pela farsa, pela risadinha, pelo julgamento de um inocente. Tanta canalhice que esse Supremo tem feito com o Brasil e eu tenho que me preocupar se vou chamar ela de Cinderela ou de bruxa. Vou repetir sempre, para não dizer coisa pior que ela devia ouvir”, bradou.

A líder da bancada feminina, Mabel Canto (PP), também de direita, repudiou a fala e citou a agressão sofrida pela professora Melina Fachin, diretora do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e filha do ministro do STF Edson Fachin, na última sexta-feira (12).

“Todo dia acontece algo violento contra uma mulher. As pessoas acham que as palavras não são violentas, mas são. E o pior são as agressões físicas.”

A Bancada Feminina na Alep afirmou que vai denunciar o deputado ao Conselho de Ética da Casa por misoginia.

Depois das inúmeras reações de deputados e deputadas de todos as espectros políticos, Arruda voltou à tribuna e pediu perdão “às bruxas que ficaram ofendidas”.

"Um adjetivo que cabe para 'bruxa': pode ser feia ou mal-humorada. Muito grave isso realmente. E eu peço perdão às bruxas que ficaram ofendidas", disse.

Na sequência, ele teve a palavra cassada pelo presidente da Assembleia, Alexandre Curi (PSD).

Em outro momento, Arruda pediu questão de ordem e voltou ao ataque.

“Não é xingamento nenhum, é a minha opinião. Chamar uma mulher de bruxa, que ofensa é essa, se é a minha opinião?”.

Alexandre Curi o interrompeu e retrucou. “Não cabe a sua questão de ordem. Essa Casa tem que dar exemplo para a população paranaense, não pode qualquer parlamentar subir na tribuna e usar qualquer expressão”, afirmou.

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