Política
Publicado em 22/06/2026, às 09h08 Crédito: X: @DELAESPRIELLAE Rebeca Santos
Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, venceu a apuração preliminar para presidente da Colômbia no último domingo (21). Considerado de extrema-direita, ele superou o senador de esquerda Iván Cepeda por menos de 250 mil votos.
Em um vídeo, de la Espriella celebrou a vitória vestindo a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos com os Estados Unidos para combater o crime organizado.
"Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante", afirmou.
A contagem definitiva dos votos deve ocorrer nesta segunda-feira (22). Se a vitória for confirmada, Espriella assumirá a presidência em 7 de agosto.
Conhecido como "El Tigre", Espriella nasceu em Bogotá em 1978. Ele é casado com Ana Lucía Pineda Aruachan e tem quatro filhos. Além de advogado e empresário, Abelardo também é cantor de vallenato, música folclórica tradicional da região.
O empresário conquistou os eleitores se apresentando como um “salvador anti-establishment”. Ele repetiu promessas comuns da extrema-direita na América Latina, com propostas de combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos, e aumentar a exploração de petróleo.
Espriella fundou o escritório De La Espriella Lawyers Enterprise, conhecido no país. Seu império empresarial inclui negócios de vinhos, rum, roupas e imóveis.
Ele já foi criticado por ter representado legalmente Alex Saab, acusado nos EUA de lavagem de dinheiro para o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Também atuou em defesa de pessoas envolvidas em escândalos de corrupção, desvio de verbas e paramilitares de direita. Espriella afirma que seu trabalho como advogado não significa cumplicidade com crimes.
A vitória do candidato de direita marca uma virada no país após o governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Espriella é filiado ao Movimento de Salvação Nacional (MSN), partido de extrema-direita fundado em 1990 por Álvaro Gómez Hurtado, assassinado pelas Farc em 1995.
Ele também tem cidadania italiana e americana, já morou em Miami e é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Donald Trump.
Admirador das políticas de Trump e do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, Espriella prometeu uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella durante a campanha.
O discurso contra a violência foi o que mais atraiu os eleitores no primeiro turno. Pesquisas mostram que a segurança é a principal preocupação dos colombianos, à frente da economia , que enfrenta dificuldades desde a pandemia e tem déficit fiscal elevado, mesmo com o atual governo tendo aumentado o salário mínimo em 75% e reduzido o desemprego.
Espriella culpa o presidente Gustavo Petro pelos problemas econômicos e de segurança do país. Ele prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar impostos das empresas para gerar empregos no setor privado.
Durante a campanha, um dos símbolos mais usados por ele foi a camisa da seleção colombiana, que se tornou um ícone da direita no país. Muitos apoiadores foram votar vestidos com camisas com os nomes de jogadores como James Rodríguez e Luis Díaz.